Alexandre

Eu tenho uma amiga de longa data, a Falsiane. A conheço desde quando eu comecei a reconhecer o mundo a minha volta, talvez com uns 11 ou 12 anos. Falsiane é seu nome real, mas era conhecida por seu apelido: Realidade. Quando a conheci, apresentou-se como Realidade, uma pessoa sincera, honesta, concreta e, sobretudo, verdadeira. E assim a tratei por longos anos, Realidade. Ela ensinou-me a ser direto e objetivo com as palavras e sentimentos.

Entretanto, desde alguns anos, ela resolveu, ou melhor, eu fui atrás dela, e a encontrei combinando coisas estranhas, sobretudo para parecer mais bonita e atraente. Perguntei para ela:

Por que você está usando tanta maquiagem, fez plásticas, não estou nem te reconhecendo? Ela respondeu:

Para dizer a verdade é preciso criar ilusões. Ninguém se interessa pela Realidade sem roupa, nua e crua. Como preciso que as pessoas me admirem, crio ilusões de tudo. Você já reparou como as estórias inventadas são sempre mais bonitas e atraentes que as reais? Pois é, por isso as ilusões.

Neste momento, de revelações profundas sobre minha amiga Realidade, fui tomado por uma enxurrada de visões sobre como as coisas realmente funcionam, com as conexões entre os seres vivos de todos os espectros, as matrizes de ilusões usadas para amenizar a frieza da Realidade. Percebi como sentimentos de autoimportância, compaixão, autoestima, caridade e correlatos são ilusões vaidosas que criamos para amenizar a implacabilidade da Realidade; criamos o protótipo do homem bonzinho, aquele que todo dia posta “bom dia, amigos” em grupos sociais, mas, longe dos celulares e computadores, fala mal das pessoas e deseja muito mal aos outros. Aí minha amiga me disse que seu nome era Falsiane, pois a Realidade não era amada por ninguém. Agora, com este novo visual, minha amiga passou a ser adorada e chamada pelo nome antigo, paradoxalmente. Ou seja, agora que é a Falsiane, todos a chamam de Realidade. E ela atende por esse nome, mesmo toda maquiada, cheia de roupas lindas e caras; até sua voz é mais doce, suave e meiga. Agora ela tem bilhões de seguidores em todas as redes sociais, todos dizem que amam a Realidade. E mais, todos admiram as “verdades” que a Realidade posta nas redes sociais de todos os tipos. Eu disse a ela, muito chateado, puto mesmo, que ela deveria ter me ensinado tudo isto antes de eu ter me transformado em um porco-espinho. Não tenho mais energia para me transformar em um ursinho de pelúcia, bonitinho, peludinho, que todo mundo adora, mas não serve para porra nenhuma. E como tem ursinho de pelúcia nesse planeta.

A Realidade, ou melhor, Falsiane, atua e trabalha em todos os níveis dos relacionamentos humanos, desde os mais próximos, quando olhamos para o espelho, até questões globais. Tudo, absolutamente tudo, é uma ilusão. Falsiane consegue superar os melhores mentirosos do mundo, ela consegue enganar muita gente por muitíssimo tempo. A grande maioria das pessoas passa pelo mundo e morre sem conhecer a Falsiane pelada, pois a Realidade nua e crua é uma visão difícil para mentes fracas e cheias de vaidades. Aos olhos alheios, as pessoas que já viram Falsiane pelada parecem frias, estúpidas e amargas, pois aprendem que é totalmente desnecessário serem hipócritas e desconstroem sua autoimportância. Posso garantir, após o tempo necessário para os olhos se acostumarem ao brilho, a visão de Falsiane pelada é maravilhosa e extática. As pessoas que já vislumbraram essa imagem não mais precisam da aprovação alheia para seguirem com suas vidas e ganham apenas uma companheira sempre presente: a Morte. A Morte é a única companheira sempre presente em cada ato de nossas vidas. A Realidade apresentou-me a Morte, que é uma conselheira admirável. A cada dúvida, basta perguntar para a Morte que, ao contrário de Falsiane, não mente jamais.

Quem quiser reconhecer Falsiane agindo precisa fazer um pacto de sangue com ela, podendo chamá-la de Realidade. O pacto é doloroso, e depois é quase impossível retornar ao estado de uma pessoa comum, dessas que dizem “eu te amo” com a mesma facilidade que dizem “estou com sede”. Esse pacto é doloroso porque faz-se necessário admitir que as pessoas mais importantes para nós podem ser muito malvadas, interesseiras, egocêntricas e arrivistas, o que leva nosso pequeno mundo da autoimportância ao desmoronamento trágico e total. Quem conhecer Falsiane de perto deverá se acostumar com a vida de um porco-espinho. Mas tem vantagens, apesar de manter algumas pessoas interessantes distantes, também mantém muito distante as pessoas imbecis e dementes. Chega a ser pura diversão ver as atuações de Falsiane na vida cotidiana. Por exemplo, quando ela usa sua incrível capacidade de transformar as mais sórdidas traições em lindos contos de fadas e estórias de amor sublime, com direito a cupido que une casais e famílias de comerciais de margarina, com aplausos e choros de emoções.

Não faltam exemplos da atuação de Falsiane nesse mundinho que mais parece um curral contendo um rebanho manso e pronto para o frigorífico, que ela chama de Paraíso. A área onde a Falsiane atua com extrema destreza é a religião, ela consegue proezas como o seguinte diálogo genérico, mas não fictício:

Como você pode acreditar nisso? Não faz o menor sentido!

Mas está escrito na Bíblia.

Você, por acaso, já leu este livro?

Não, mas o pastor/padre me falou.

As pessoas acreditam num livro que nunca leram, e quem leu não acredita. Contradições que são obras de Falsiane. Ela me disse que falar a verdade, o que ela fazia há muito tempo como Realidade, levaria as pessoas a não se comportarem como desejam os poderosos, e isso poderia provocar violência desnecessária, melhor deixar as pessoas obedientes, apesar de ignorantes. Discordei, mas quem sou eu para argumentar contra a Realidade que me garante que o ser humano não está pronto.

Enfim, estou tentando aprender com Falsiane e não espernear por aí tentando mostrar fotos da Realidade pelada, assusta muito a imensa maioria dos moralistas e defensores dos bons costumes. Mesmo que esses costumes morais sejam transar com amigos dos companheiros, trair confianças, mentir em juízo, desprezar os menores indefesos, praticar violência contra os diferentes, ludibriar os sofredores com falsas promessas e obtendo lucros fantásticos, promover o ódio contra quem pensa diferente, torturas, destruição do ambiente em troca de dinheiro e poder, e toda uma imensa quantidade de disparates e maldades. Melhor mesmo é manter a Realidade reservada para correr para conhecer com mais detalhes outra pessoa maravilhosa, mas muito difícil de encontrar, a senhora Liberdade, que vive voando de gaiola em gaiola.


Apesar de pagarmos impostos abusivos, não temos os serviços mínimos necessários e combinados, como está em lei. Não há como não pagarmos esses impostos, pois está embutido no preço de tudo que compramos; não tem como mandarmos encher o tanque do carro e falar pro frentista que só vamos pagar metade porque a outra metade, que é de impostos, usaremos para pagar a consulta médica.

Essa consulta médica, que é direito universal segundo nossa Constituição Federal, é tratada pelo serviço público como um favor que os governantes abençoados autorizam e os funcionários respondem com o famoso “estou cumprindo minha obrigação”. Nos tratam como se estivéssemos ali pedindo esmola e eles, bonzinhos, nos permitem sairmos da repartição com a sensação de que somos os piores seres do planeta que atrapalhamos a vida desses seres celestiais, especialmente as autoridades benevolentes. Se quisermos uma consulta ou um exame, temos que bajular, fingir simpatia, orar, apenas para conseguirmos o que é um direito de todos, do mais pobre ao mais rico. Esse serviço não é assistencialismo social, é direito. Mas, dizer isto é malhar em ferro frio, sempre ouvimos as desculpas de que não tem verba, que estão fazendo o que podem, são as regras, não se pode fazer de outro jeito, etc.

Pior ainda nos dias atuais, em tempos de Internet, sistemas inteligentes, tudo digital, rápido, fácil e na ponta de um celular. Mas, isto não chega nos postos de saúde ou secretarias de saúde, onde as marcações de consultas estão em cadernos de papel que somem, restando ao usuário do sistema gritar para todo lado até conseguir, seis meses depois, uma consulta. Não há um banco de dados cadastral simples, um programinha besta que qualquer estudante de um cursinho técnico de informática sabe fazer. Uma planilha simples resolveria muito problema. Mas, preferem o discurso: “volte dia tal para agendarmos”. Pior ainda se a necessidade for de um especialista, pois aí é necessário voltar semanas depois para agendar um clínico geral, sair da consulta meses depois com um encaminhamento e depois ouvir a mesma ladainha e sem nenhuma informação num banco de dados, tudo em um caderninho anotado com caneta.

Ao final, uma solução. Quando finalmente a consulta for feita, depois de ter voltado umas dez vezes à secretaria para conseguir até um exame de sangue ou ultrassonografia, ou o problema foi curado pelo chá que a avó passou para gente tomar, ou a benzedeira resolveu com suas orações e ramos de arruda ou fomos a óbito. Esse é o interesse de quem comanda todo o sistema social, querem mais que o pobre morra. Disso já sabemos, o sistema está aí para manter os pobres úteis e exterminar os pobres inúteis. Pior que os pobres úteis ajudam no extermínio, pelo menos até chegar a vez deles. Em resumo, ou o problema de saúde se resolve sozinho ou o cidadão que quer seus direitos morre. E como tem gente morrendo em fila de SUS e hospital. E tudo isso porque nós escolhemos nossos governantes como se eles fossem os patrões e nós seus escravos. É o contrário. Enquanto os usuários do SUS estão perambulando à espera de uma consulta, indo e voltando de roças com estradas precárias e esquecidas, onde estão os governantes e seus servidores? Preparando-se para mais uma eleição, oferecendo festinhas para o povo esquecer quem é o patrão.

Por isso proponho a existência do atestado de óbito preventivo para evitar demoras até no sepultamento. Faz-se a via-sacra para conseguir a consulta, quando, então, o médico já emite um atestado de óbito, devidamente assinado e carimbado, faltando completar apenas com a data e a causa mortis. Daí, alguém da família do defunto termina de preencher e segue para a outra parte burra de nossa sociedade, que são os trâmites burocráticos para se dizer que um morto está morto, nos cartórios, Receita Federal, INSS, etc.

No meu caso bastará colocar a data, a causa da morte já pode completar: MORREU DE RAIVA.

Existem pensadores modernos que acreditam na humanidade, são positivos e esperançosos como Domenico de Masi e Bertrand Russell em seus ensaios sobre o ócio criativo, tentando mostrar que é possível uma sociedade com pessoas trabalhando menos horas por conta da alta tecnologia de produção que permite o trabalhador produzir muito mais em menos horas de trabalho, de tal forma que poder-se-ia imaginar pessoas lendo mais, produzindo artes, conhecimento e até mesmo entretenimento de qualidade por conta do tempo livre. Eles não consideraram alguns fatores muito fortes que serviriam de obstáculo à ideia do ócio criativo: a perversidade intrínseca, a ganância e o incrível poder da mídia no controle mental. Enfim, a tecnologia só beneficiou a elite dominante e patrões gananciosos que lucram absurdamente com o aumento da produtividade, mantendo os mesmos padrões de escravidão dos trabalhadores desde o início da era industrial.

Esse aumento da produtividade aliado ao aumento da população gerou uma horda de trabalhadores sem ocupação remunerada, o que vemos hoje no Brasil, oficialmente, cerca de treze milhões de desempregados e muitos mais desalentados. O que produz isso? Basta imaginar que os atuais empregados estão com medo de perderem suas posições, o que leva os patrões assumirem a posição de benfeitores, ou seja, os patrões são pessoas benevolentes que deixam os trabalhadores/escravos ganharem algum dinheiro produzindo riqueza para eles. Com isso, patrões, aliados aos governos inescrupulosos, pagam cada vez menos, retirando até direitos trabalhistas duramente conquistados. Enquanto os escravos agradecem os empregos, os patrões usufruem da riqueza gerada por esses escravos. Se não, vejamos alguns exemplos.

Um grande empresário do setor de calçados possui um iate avaliado em R$ 280 milhões, que leva sua filha para as ilhas gregas com o namorado que é filho de artistas (na verdade operários da indústria do entretenimento), enquanto seus funcionários não ganham o suficiente para comprarem os calçados que produzem, do mesmo jeito que os funcionários das indústrias em geral não podem comprar o que produzem, pois recebem salários de miséria. A notícia do iate foi veiculada em diversos programas televisivos de fofocas com um ar de conto de fadas, fazendo o incauto escravo sonhar com iates, champanhes e príncipes e princesas. E mais, os escravos juram que seus patrões são merecedores de tais fortunas, pois são pessoas especiais, amadas pelos deuses e que lutaram muito para conseguirem tornar-se vagabundos sustentados pelo trabalho alheio de escravos.

Exemplos bem mais próximos de nosso dia a dia podem ser encontrados numa profusão alucinante. Até em pequenos mercados em cidades do interior, peões de roça e até estrangeiros em fábricas em grandes cidades é possível encontrar trabalhadores recebendo vinte reais ou menos por dia de trabalho, sem nenhum direito trabalhista, e ainda escutam: “a situação está difícil, se você não quiser, tem quem queira”. Enquanto o próprio patrão vai curtir uma pescaria, se encontrar com amantes e sua mulher vai cuidar do corpinho em academias. Devemos considerar que o que recebem por dia de trabalho não é suficiente para garantir uma alimentação adequada, quanto mais moradia, educação, transporte; nem pensar em lazer. Ócio é uma palavra pecaminosa, a mídia e a sociedade em geral criou a ideia de que tem-se que trabalhar e descansar dormindo para trabalhar mais no dia seguinte. E os escravos acreditam nisso, que quanto mais exaustivo o trabalho, melhor é o trabalhador e ganhará o paraíso depois de uma vida sofrida e uma morte lenta e cruel.

Acontece que com essa mentalidade de que ócio criativo é coisa proibida e pecaminosa, os trabalhadores sem ocupação entram em desespero, ou entram para o crime, ou ficam doentes e morrem. Por isso a saúde pública está cada vez pior, é para deixar mesmo que os pobres desocupados morram, pois não merecem viver, estão atrapalhando a vida daqueles merecedores, que são a elite dominante, a classe média que se acha especial, e os escravos com ocupação útil aos demais. Mas, como parece que os escravos inúteis não estão morrendo na rapidez desejada, os governos subservientes ao capital dominante estão dando uma “pequena” ajuda promovendo e exacerbando as diferenças sociais, com as consequentes polarizações e ódios. Assim, em breve uma guerra civil poderá ocorrer (o presidente, em ato falho, já disse que quer armar a população para o caso de uma guerra civil – basta lembrar que pobre não tem dinheiro para comprar armas), pois escravos famintos saquearão supermercados, roubarão casas de ricos, bloquearão estradas atrapalhando o sagrado direito das elites transitarem enquanto humanos próximos morrem de fome. E o que acontece em caso de rebeliões de escravos? Outros escravos, mas os escravos contratados pelas elites e que também são pobres, usarão da força e violência para conter os famélicos que estão desarmados, daí fica fácil concluir que mais pobres inúteis e que estão consumindo o ar das elites serão mortos.

Com isso, os governos populistas e fascistas resolverão o problema do desemprego: matando os desempregados de fome, doenças ou com uma bala em nome da ordem e do direito à vida das elites merecedoras de toda a atenção dos homens e dos deuses. Que me perdoem De Masi e Russell, mas ócio criativo é um lindo sonho para ser sonhado por pessoas como Howard Woodhouse (Universidade de Saskatchewan) quando curtiu seu ócio num jardim em Loire, França. Ócio criativo não é possível para quem tem fome e tem capatazes do sistema no seu cangote. Só quem tem escravos a seu dispor e um iate de R$ 280 milhões, ou mesmo um mercadinho com escravos ganhando vinte reais pode curtir o ócio destrutivo.

Se esse modelo chamado de neoliberal fosse realmente focado em mercado, em vez de exterminar potenciais consumidores, deveria incentivar o aumento do mercado consumidor, gerando e distribuindo renda para que pudesse ter mais pessoas comprando, gerando mais dinheiro para os próprios capitalistas. Mas, como estamos vendo, o objetivo não é dar espaço para todos, mas aumentar o sentimento de importância da classe dominante. É como a pessoa que se sente poderosa não por ter poder de verdade, mas por ter pessoas sem nada por perto, sentem-se bem apagando as luzes alheias, não acendendo as próprias luzes. Tal como a vergonha que o filho da patroa sentiu ao ver o filho da empregada chegando à universidade pública.

Portanto, é fácil acabar com o desemprego, basta acabar com os desempregados.

Tem sido comum os relatos de pessoas com distúrbios sérios de autoimagem que geram problemas graves de saúde, eventualmente a morte. Normalmente esses distúrbios começam com a pessoa procurando ajustar seu físico às expectativas alheias, para ficarem parecidas com o que a mídia propaga como padrão de beleza. Entretanto, quando o distúrbio começa a ficar sério, a pessoa se vê como totalmente diferente do que realmente é, normalmente pessoas esqueléticas se enxergam como obesas, com isso param de comer e definham. Ou seja, sua imagem mental não espelha a realidade, um mal cada vez maior nessa sociedade do desejo do supérfluo. Apesar de ser um distúrbio individual, tem sua causa ou fator desencadeador no social.

Mas o distúrbio de autoimagem não se dá apenas em indivíduos narcisistas, se dá de forma mais comum e até mesmo aceitável nas pessoas aparentemente saudáveis que desejam apenas aparentar o que não são. Na minha infância no interior de Minas, era comum eu ouvir comentários, fofocas mesmo, da seguinte forma: “Fulano desfila no calçadão com roupas caras, compradas no crediário, mas a geladeira está vazia”. Ou: “O sujeito come mortadela e arrota caviar”. Isto demonstra, além de inveja, que as pessoas preferem parecer do que ser. Mas, o que isto tem a ver com fascismo? Calma, mais alguns exemplos, só que recentes.

Hoje, em 2018, nesse auge das manifestações de ódio pelos diferentes, ainda percebemos demais esses distúrbios da autoimagem. Nas zonas rurais do interior de Minas também é visível esse comportamento, especialmente agora com as propagandas sobre o agronegócio, o “Somos Agro”. Nada mais comum do que ver pequenos sitiantes se achando latifundiários pecuaristas exportadores de proteína animal. Tem muito, mas muito produtor com um pedaço de uns 30 a 40 hectares de terra, com cercas caindo aos pedaços, pasto raspado, umas 30 cabeças de bois mestiços, daqueles que só vão pro abate com, pelo menos, cinco anos, casa do bisavô que só tem luz por conta do programa “Luz para Todos”, um fusca ou brasília velha para não agarrar no barro, mas que se acha o quarto elemento na mesa de reunião de Maggi, Caiado e Kátia Abreu. E o pior é que esse sitiante, que se juntasse com seus pares teria realmente a força do campo, prefere desprezar seus iguais, até mesmo humilhar em nome da aparência.

E tem outros pequenos produtores, que se acham ainda mais espertos e superiores, capazes de proezas interessantes para aparentarem homens do agronegócio dirigindo caminhonetes 4×4 e contratando alguns peões na base do trabalho em troca de comida, abrigo e cachaça. Esses homens de negócio pegam dinheiro a juros subsidiados para comprarem carros (Pronaf), compram gado com empréstimo de cooperativa financeira a juros muito baixos, emprestam para outros a juros abusivos (agiotagem) usando o próprio gado como lastro para garantir o empréstimo na cooperativa. Com isso, além de se sentirem poderosos pecuaristas, sentem-se homens do mercado financeiro, verdadeiros banqueiros convidados para a próxima reunião no Rockfeller Center de Nova Iorque.

São esses anoréxicos sociais, intelectualmente desnutridos, mentalmente esqueléticos que se acham o suprassumo da sociedade e que desejam que seus vizinhos normais sejam dependentes deles, numa cadeia alimentar da mendicância, esperando que as migalhas mais limpas caiam em seus pratos antes de deixarem o resto para os inferiores. E muitos reclamam que anda faltando mão-de-obra (escrava) na roça, porque “esses vagabundos preferem bolsa-família que trabalhar para mim”. Repetem discursos exclusivistas como se fossem mantras, mas não entendem o que estão dizendo. São conservadores, retrógrados, e se baseiam em valores morais que os colocam em posições de benfeitores, enquanto os demais são considerados vagabundos se não trabalham para eles ou são ótimos funcionários se esses aceitaram as condições sub-humanas de trabalho. Como ninguém nasceu para ser escravo, a maioria das pessoas não trabalha mais para esses “homens de negócios”, daí nasce o ódio pelos “vagabundos”. Esses são os fascistas rurais. Outras áreas também têm seus “esquizo-fascistas”, como aquelas tias que fazem doces artesanais, os queijeiros artesanais ou mesmo alguns artesãos que se consideram verdadeiros industriais, gigantes da produção nacional, prontos para cargos na Fiesp, Fiemg ou coisas do tipo.

O mesmo ocorre de forma generalizada em nossa sociedade, as pessoas com distúrbios de autoimagem, que se acham superiores, estão cada vez mais iradas por conta de encontrarem resistência contra essa “superioridade”. Por isso temos pobres de direita, são pobres que se acham ricos e que não querem encontrar pobres assumidos no mercado, no aeroporto, no banco ou dirigindo seu carro popular zero na mesma estrada. E como esse comportamento não é racional, não há argumentos nem ideias a serem discutidos, sua visão de mundo é manifestada de forma estúpida, covarde e violenta, afinal a violência é uma manifestação da ignorância. São pessoas que acham que matando e atirando conseguirão convencer alguém de suas fantasias esquisitas, esquizofrênicas mesmo.

Daí nasce o fascismo, uma esquizofrenia social, quando um grupo se percebe falsamente como não é realmente, quando, tal como um esquizofrênico, acredita piamente que suas visões são reais. Também da mesma forma que um doente psiquiátrico, um fascista torna-se violento para demonstrar que está certo, que não pode ser questionado por ser ele um superior. Um exemplo claro dessa deturpação esquizofrênica é um fascista que acha que qualquer pessoa que recebe bolsa-família é um vagabundo que deve ser eliminado, não consegue ver ali um ser humano em situação de vulnerabilidade e em sofrimento, afinal, se é vulnerável é porque é fraco, portanto inferior e deve ser morto. Mas vai semanalmente ao culto cristão para falar em amor ao próximo e alívio do sofrimento alheio. O mesmo vale para qualquer pessoa que tenha comportamento ou valores diferentes do esquizofrênico/fascista.

Como resolver? Décadas atrás, dava-se remédios “sossega-leão” para esquizofrênicos, mas não resolvia o problema, muitas vezes, mesmo medicado, o doente tinha ataques de fúria e matava familiares e amigos; embora, normalmente, o fim de um esquizofrênico era o suicídio. No caso dos fascistas de hoje, também não vejo solução, apenas contenção, como funcionou até hoje, ou seja, uma contenção social baseada em leis que impedem a violência em último grau, apesar dela acontecer diariamente como disse acima. Portanto, a meu ver, infelizmente teremos uma grave crise desse doente social, que é um grupo que não enxerga a realidade e não raciocina, exatamente como um esquizofrênico. Não necessitamos de antropólogos ou sociólogos, mas de psiquiatras sociais. Ou talvez essa catástrofe social seja apenas uma simples manifestação natural de grupos arrebanhados que crescem acima de um certo limite, como no caso da experiência com ratos que, inicialmente, vivem pacificamente em grupos pequenos, mas que avançam até a situação de canibalismo quando o grupo cresce. De qualquer forma, previnam-se, os esquizofrênicos estão à solta em surtos psicóticos, alucinações megalomaníacas e mitomaníacas, sem remédios ou camisas de força.

Está para completar um ano do incêndio que queimou cerca de 1.600 hectares na região entre Soledade de Minas e Conceição do Rio Verde, sendo que meu sítio estava no caminho deste fogo criminoso. Veja mais sobre o incêndio neste texto. Mas, o que temos de novidade neste tempo? O que aprendi com este episódio?

Como dizem, aprendemos muito em situações críticas ou de catástrofes. Desde coisas simples relacionadas ao próprio trabalho no campo, prevenções de outros tipos de catástrofes, até sobre o comportamento humano, individual ou social. Na prática pude perceber que, de fato, braquiária adora fogo, como já diziam os roceiros; pouco tempo depois do fogo, mesmo antes das chuvas chegarem, a braquiária rebrotava com um vigor invejável, bastou a chuva para que eu tivesse um pasto bem formado, apesar de estar com as cercas queimadas, ou seja, um pasto que serviria para gado de todos os vizinhos. Aos poucos as cercas foram levantadas, de forma simplória, apenas para evitar o passeio ou perda de gado de vizinhos. As cercas ainda estão meio capengas, mas o pasto realmente ficou formado.

Nem tudo foi recuperado, algumas mangueiras ainda não foram substituídas, moirões ainda estão faltando, hortas e pomares não foram todos replantados. Mas os animais estão bem, especialmente as cabras e ovelhas, que, mesmo com a seca, estão com bom pasto à disposição. Uma coisa ainda é difícil recuperar, o sentimento de tranquilidade da roça; basta uma fumaça longe para reacender o medo de ver tudo ardendo, ficamos olhando para todos os lados para ver de onde vem a fumaça. Uma coisa positiva neste episódio foi perceber que ainda existe solidariedade de algumas pessoas, como foi o caso do Prefeito de Conceição do Rio Verde e do secretário de agricultura, como já disse neste texto. Enfim, apesar de todas as dificuldades provocadas pelo incêndio, é sempre possível recomeçar e estamos no caminho para retomar a produção, ainda com algumas dúvidas, mas nada que seja um impedimento decisivo.

Entretanto, algo incomoda absurdamente neste episódio: saber quem colocou fogo e não poder fazer nada. Sim, foi possível identificar a pessoa criminosa, tanto por cruzamento de informações quanto declarações de vizinhos em Soledade de Minas que viram. Mas, quem viu não quer declarar oficialmente, alguns me falaram porque não sabiam quem eu era, contaram o caso do incêndio, outros me falaram abertamente que não podem fazer nada. Tudo isto porque o incendiário é uma pessoa supostamente acima de qualquer suspeita, de família conhecida, é uma pessoa que declara princípios preservacionistas, ecológicos e éticos e acabou sendo vítima da própria estupidez. Assim, além dos prejuízos materiais e psicológicos que não poderão ser ressarcidos, os animais mortos, como o lobinho e pássaros aos montes, os ipês e candeias em recuperação e os cursos d´água assoreados não poderão voltar à vida ou ao normal. Tanta perda e ninguém pagará por isso, realmente vivemos tempos de impunidade para as elites e ascensão de seres inferiores, como disse neste outro texto.

Resta-nos, portanto, a resignação ou teimosia em continuar sonhando e a resiliência (palavra tão em moda) para suportar as envergadas que a natureza nos força ou as porradas que a estupidez humana nos dá.

Aug 112018

Aos cinquenta anos e às vésperas de um dia dos pais, resolvi fazer uma reflexão pessoal sobre meu pai, que está chegando à casa dos oitenta. Há trinta anos isto seria impensável, ou seja, quando meu pai tinha minha idade de hoje, eu o via apenas como um homem comum, com todas as virtudes, defeitos e, especialmente, um conjunto imenso de valores rígidos.

E o que mudou nesses trinta anos? Referente a meu pai, nada, ou quase nada, só mais rugas e cabelos brancos. Basicamente ele mantém os mesmos valores e princípios e reage da mesma forma se confrontado com as mesmas situações. Já eu, nesses últimos trinta anos, mudei muito, mas o mais importante é que mudei a forma como vejo meu pai, que não mudou. Ou seja, a teimosia dele, de tanto bater e ser dura, moldou em mim uma nova percepção. Tudo que eu via como um autoritário ditador frio e cruel, hoje eu vejo como um autoritário apenas para poder cumprir o que ele combinou consigo mesmo, ou seja, um determinado, obstinado e impecável cumpridor de seus próprios compromissos, alguém capaz de cumprir sua palavra até o fim, o que, nos termos dele, podemos chamar de Homem com H maiúsculo.

Obviamente sem fazer juízos de valores, afinal, valores pessoais são tantos quanto são os seres neste planetinha, meu pai cumpriu e ainda cumpre um compromisso que ele assumiu há mais de cinquenta anos, o compromisso e a responsabilidade de ser pai. Exatamente isso, meu pai é, de fato e de direito, um pai. Esse é o ponto que mudou drasticamente como o vejo hoje, ele é um pai. Desde que casou, em 1966, ele assumiu o compromisso de viver exclusivamente para a família, arcando com todas as responsabilidades oriundas dessa escolha, não arredando o pé nem por um milímetro. Podemos questionar sua visão de mundo, o que é certo ou errado (se há certo ou errado), seus métodos, etc, mas não podemos questionar sua capacidade de cumprir, com sucesso, a tarefa que assumiu.

Em suma, meu pai foi, é e será sempre Pai. Até hoje ele está sentado em seu trono à espera de um chamado de seus filhos, netos e até bisneto. E só gritar que ele está lá, pronto para estender as mãos para ajudar e puxar as orelhas. Ambas as coisas ele faz com a mesma determinação quando eu era moleque. Ainda sou moleque e ele pai. “Bença, pai!”

As referências ou comparações da coletividade humana com rebanhos é extensa, sejam em textos acadêmicos, sejam em botecos da vida ou até mesmo na arte, especialmente a música. Vida de gado, e hoje mais claramente, e tecnologicamente, marcado.

Do ponto de vista de um pecuarista bovino, por exemplo, o rebanho humano é invejável, afinal, o dono do rebanho humano não precisa fazer absolutamente nada, desde o nascimento até a morte ou abate. Nos rebanhos bovinos é necessário tratar desde o primeiro momento de um bezerro, tratando seu umbigo e garantindo que ele mame o colostro, essencial para a saúde. É necessário fazer pastos, desmatar, reformar, plantar para fazer silagens durante o inverno, fazer e reparar cercas, currais, vacinações, tratar bernes e carrapatos, vermifugar, fora as questões como melhorias genéticas, cruzamentos, escolha de reprodutores. Enfim, é muito trabalho para garantir o churrasco do final de semana.

Já o gado humano faz tudo isto sozinho. Ele mesmo trata o umbigo de suas crias, amamenta ou compra leite industrializado de grandes corporações de propriedade dos mesmos donos do rebanho, ou seja, o pecuarista humano lucra desde o nascimento de um bezerrinho, digo, bebezinho; ao contrário do pecuarista bovino que só lucra no abate. Esse gado humano produz seu próprio pasto, suas próprias vacinações e vermifugações, suas cercas, currais e até mesmo sua própria suplementação alimentar, garantindo um animal produtivo, muito produtivo. Ah, claro, produz suas próprias carroças. Fico imaginando a alegria de um homem antigo das roças usando um carro de boi que tenha sido feito por seus próprios bois, tal como hoje em dia um boizinho humano prepara sua própria carroça para dar lucro ao pecuarista sob a justificativa de que sem a carroça ele não ganha fubá e sal no cocho.

Tenho um vizinho que tem uns bois no pasto, bem tratados. Outros vizinhos sempre perguntam para ele o que faz para que seus bois estejam sempre gordinhos, no que responde: “dou cinquenta centavos para cada um e eles comem o que querem por aí”. Mal sabe ele que sua ironia é a mais pura verdade no que se refere ao rebanho humano. Os pecuaristas humanos dão algum dinheiro para o gado, mais para uns, menos para outros de acordo com que os pecuaristas chamam de mérito. Mérito deve ser um índice zootécnico associado ao prazer do pecuarista, mas os boizinhos humanos acham que esse índice é de acordo com sua capacidade individual, porque ele é melhor que o outro.

E nessa batida o gado humano continua por aí no pasto, cagando e andando, como faz muito bem todo e qualquer boi que vira churrasco. Nós podemos não nos transformar em churrasco de carne, mas alimentamos com muita energia seres que são “pecuaristas parasitas”. O pior é que a grande maioria do rebanho humano prefere assim por puro comodismo, submissão. Fomos doutrinados a achar que ser boi fujão, um rebelde contra esse sistema, é ruim e pode zangar nosso pecuarista, aí ficamos sem nosso fubá no cocho. O problema é que tem boizinho que prefere ir lá e fechar as cercas, currais e ainda ir até o pecuarista para falar que tem boi fujão, na esperança de conseguir um lugar melhor no curral. Só tem um jeito do boi submisso fugir, tal como na pecuária bovina, quando uma vaca do vizinho entra no cio, aí ele arrebenta a cerca, mas depois volta manso pro seu cocho de sal. Está na hora de arrebentarmos as cercas, currais e silos; está na hora do pecuarista preparar seu próprio pasto.

Não falamos mais que estamos em sintonia com alguém ou alguma coisa, falamos que estamos na mesma “vibe” (vaibe).
Não mandamos mais cartas, mandamos “e-mail” (imeiu).
Não lanchamos, comemos “fastfood” (festifudi).
Não comemos cachorro-quente, mas “hot dog” (róti dogui).
Não mais pedalamos, agora vamos de “bike” (baiqui).
Não mais fritamos os miolos, temos “burnout” (burnauti).
Nas interjeições de espanto que usávamos expressões como “oh, meu deus”, “caramba”, “nossa senhora” (nussinhora em Minas), hoje é comum ouvir crianças gritando “oh, my god” (oh, mai gódi).

Nas corporações, os mais subservientes ao império falam em “budget”, “business plan”, “business case”, “networking”, “flow”, “market share”, ROI (“return on investment”), “customer care” e mais um tanto de outras “bullshit”. Frases como “não tenho mais budget para esse project” são comuns nas empresas, com um detalhe, o falante se acha superior ao usar termos estrangeiros por se sentir exclusivo em relação aos demais escravos, aliás, funcionários ou ainda colaboradores, pois esses escravos devem achá-lo superior por seu conhecimento da língua dos deuses, uma língua secreta e só para os escolhidos (isto me remete a outro assunto extremamente correlato com poder, dominação através de palavras, mas melhor deixar para depois).

De novo este comportamento das pessoas me remete ao Tao Te Ching, no capítulo 18, onde lemos:

“Quando se perde o Grande Caminho
Surgem a bondade e a justiça
Quando aparece a inteligência
Surge a grande hipocrisia
Quando os seis parentes não estão em paz
Surgem o amor filial e o amor paternal
Quando há desordem e confusão no reino
Surge o patriota”

É isso, dessa suposta inteligência superior ao usar expressões estrangeiras que não são de conhecimento dos meros mortais, fazendo essas pessoas se sentirem superiores aos demais seres, faz surgir a grande hipocrisia. É só mais uma confirmação de que essa nossa sociedade, em especial a classe média, está doente terminal. E é essa mesma classe média a responsável por manter a própria classe e as inferiores dentro dos conformes, seguindo as regras ditadas pelos senhores feudais ou deuses imperiais. Ah, sim, “compliance” é o termo correto.

A subserviência do brasileiro típico não é apenas uma bajulação para garantir a esmola nossa de cada dia, é uma questão sociocultural. Somos um povo, digo, rebanho, muito bem programado e conduzido para ser escravo completo, de cama, mesa e banho. Trabalhamos e produzimos para nossos senhores, mas também consumimos seus produtos e entretenimento, garantindo a riqueza e felicidade de nossos senhores. Ah, e também louvamos nosso patrão, ou, “god bless him”.

Alguns dias atrás, passamos por uma situação difícil com uma cabrinha que estava prenhe pela primeira vez. Os caprinos são animais parecidos com humanos, especialmente na hora do sexo ou da alimentação, “primeiro eu, depois eu”, e com isso essa cabrinha acabou levando cabeçadas e chifradas provocando um aborto, aproximadamente 40 dias antes do parto.

Meu aperto se deu por não ter prática e alguns conhecimentos sobre esses animais. Embora eu saiba que a primeira gestação é normalmente de apenas um cabritinho, como ter certeza disto? E como saber se, em caso de gestação dupla, o cabritinho abortado não tinha um companheiro de placenta. Como saber se, em caso de gestação dupla, outro pudesse estar em uma placenta separada, o que é raro? Mesmo que, estatisticamente, a cabrinha estivesse prenhe de apenas um, que foi abortado, como ter certeza para tomar as providências necessárias, como aplicar antibióticos e o hormônio ocitocina que ajuda a expelir a placenta?

Não tive dúvidas, peguei meus livros da Embrapa e procurei o telefone da unidade de pesquisa de caprinos. Fui bem atendido por várias pessoas que me passaram para um veterinário, o Dr. Eduardo Luiz de Oliveira, analista da área de sanidade de caprinos e ovinos, que ouviu atentamente meu relato desesperado para fazer o possível para salvar a cabrinha e então me explicou detalhadamente e com paciência o que fazer para identificar se havia ou não outro feto, a apalpação abdominal, diferenciando rúmen de um lado e útero de outro, e depois o que fazer em cada caso. Com esta orientação foi possível salvar a cabrinha, que passa bem. E o Dr. Eduardo entrou em contato posterior para saber da situação e ainda me enviou vasto material sobre estes interessantes animais.

Assim, preciso registrar meus agradecimentos especiais ao Dr. Eduardo Luiz de Oliveira e a Embrapa Caprinos e Ovinos em Sobral, no Ceará. Pessoas com esta dedicação ao trabalho e profissão me fazem renovar esperanças de que nossa sociedade pode ser melhor.

Escutamos de todas as linhas filosóficas, religiosas e até sociológicas que estamos vivendo um período ímpar na história da humanidade, pelo menos da humanidade recente, últimos nove ou dez mil anos. Os esotéricos falam de mudança de era, separação de joio do trigo, período de luz ou trevas; os cristãos falam em apocalipse, judeus em era messiânica; os cientistas sociais e políticos falam em crises de valores e princípios, com os questionamentos dos valores econômicos e a crise do capitalismo. E assim muitos andam dizendo que estamos vivendo tempos sombrios. Mas será mesmo? Ou apenas o acesso à informação é que nos dá essa sensação de que o mundo está de pernas pro ar? Será apenas por sucesso dos telejornais que mostram violência em exagero, sem mostrar as coisas boas?

Alguns dizem que, na verdade, estamos vivendo uma entrada no período de luz, e por isso as mazelas estão aparecendo com mais clareza. Faz sentido, afinal, quando aumentamos a intensidade de luz em um ambiente, podemos perceber facilmente a sujeira, poeira e teias de aranhas. Também os ratos se assustam e saem correndo para todos os lados para garantirem suas porções de comida. De fato, quando estamos num ambiente escuro, ao acendermos uma luz muito forte, nada enxergamos diante de nós e tropeçamos em tudo a nossa volta até que possamos ver onde estamos. Aí nos assustamos com a real situação de nosso mundinho, jamais imaginamos que estávamos num chiqueiro indescritível. O pior é que a grande maioria prefere não enxergar o chiqueiro pelo simples fato de que o trabalho para limpeza é absurdamente árduo, adotando a postura do “deixa como está para ver como fica”, afinal é mais prático esperar para ver se alguém aparece para fazer a faxina. Daí surgem mitos de salvadores, sejam salvadores da pátria ou de almas. Muitos realmente preferem fazer apenas a obrigação do que pegar uma vassoura e começar o trabalho para, finalmente, fazer a diferença – quem faz só a obrigação, não faz a diferença. Com isto, se dão bem os oportunistas de sempre, aqueles que conseguem colocar os outros para trabalharem enquanto lucram com este trabalho. Esses oportunistas, na visão da separação de joio do trigo, são o joio. Mas muito trigo acaba se juntando a este joio e apodrecerá junto.

Isto me faz lembrar da visão oriental deste período, em especial a chinesa, tal como fala o I Ching e o Tao Te Ching. No Tao Te Ching, no capítulo 18, lemos:

“Quando se perde o Grande Caminho
Surgem a bondade e a justiça
Quando aparece a inteligência
Surge a grande hipocrisia
Quando os seis parentes não estão em paz
Surgem o amor filial e o amor paternal
Quando há desordem e confusão no reino
Surge o patriota”

Num resumo nada ortodoxo desta passagem, podemos dizer que: Quando entramos numa roubada sem tamanho, mas pensamos que somos os super-heróis do universo, criamos a sociedade do mimimi. Isto mesmo, o que estamos vivendo hoje é uma palhaçada de regras estúpidas com rótulos para tudo e todos, esquecendo de nossa essência humana.

Já no I Ching, o Livro das Mutações, há várias passagens com referências ao período em que os seres inferiores dominarão a sociedade. Um dos hexagramas que tratam desse assunto é o 12, Estagnação, que é a combinação de Céu e Terra. Nele está escrito:

“ESTAGNAÇÃO. Homens maus não favorecem a perseverança do homem superior. O grande parte, o pequeno se aproxima.

Céu e terra estão dissociados, e todas as coisas tornam-se entorpecidas. O que está acima não se relaciona com o que está abaixo e na terra prevalece a confusão e a desordem. O poder da escuridão está no interior e o poder da luz, no exterior. A fraqueza está no interior, a rigidez, no exterior. Os inferiores estão no interior, os homens superiores estão no exterior. O caminho dos homens inferiores está em ascensão, o caminho dos homens superiores, em declínio. Porém os homens superiores não se deixam afastar de seus princípios. Mesmo quando não podem exercer influência, permanecem leais a seus princípios e retiram-se para a reclusão.”

Outro hexagrama, que descreve uma etapa posterior, é o 20, Desintegração, que é a combinação de Montanha sobre a Terra. Nele está escrito:

“DESINTEGRAÇÃO. Não é favorável ir a parte alguma.

Esta é a época do avanço dos inferiores, que estão prestes a expulsar os últimos homens fortes e nobres. Sob tais circunstâncias, decorrentes do ciclo em andamento, não é favorável ao homem superior empreender coisa alguma. A atitude correta nessas épocas adversas deve ser deduzida das imagens e seus atributos. O trigrama inferior significa a terra, cujo atributo é a docilidade e a devoção. O trigrama superior significa a montanha, cujo atributo é a quietude. Isso sugere a aceitação da época adversa, mantendo-se a quietude. Não se trata aqui de uma iniciativa humana, mas das condições do ciclo em vigor; estes ciclos, seguindo as leis celestiais, alternam o aumento e a diminuição, a plenitude e o vazio. Não é possível se contrariar essas condições do tempo e por isso não é covardia, e sim sabedoria, submeter-se, evitando a ação.”

Este hexagrama descreve com perfeição os tempos que estamos vivendo, os seres inferiores assumiram o controle total da sociedade, e os superiores que ainda não se tocaram de que o momento é uma condição natural do ciclo estão em desespero. Outros, entretanto, estão tentando não contrariar tais condições e estão evitando ações. É muito fácil perceber o controle pelos seres desprezíveis, basta dar uma ligada na TV ou passear pela Internet. De Trump ao Macri na Argentina, de Netanyahu a Erdogan, dos controladores dos bancos centrais ao redor do mundo (inclusive Brasil) aos controladores dos meios de comunicação, de Temer ao prefeitinho do interior que está juntando dinheiro para se mudar para o império americano quando seu mandato terminar. Estamos cercados pelos parasitas que estão a sugar tudo, de nascentes e fontes de água aos poços de petróleo e mineração. Mas é fácil perceber quem é superior no mundo, são aqueles que estão recebendo provocações para a guerra e mesmo assim não respondem com a guerra, mas até quando? Sabemos que o poder dos inferiores está no auge, resta saber por quanto tempo ainda e se vamos aguentar não agindo.

Mas estes seres inferiores estão atuando também no âmbito de nossas vidinhas pessoais na periferia do planeta. São pessoas capazes de tudo, de bom e de ruim, para conseguirem o que querem, destruir vidas através de provocações, traições e até estímulos ao uso de drogas ou substâncias para a perfeição do corpo. Os inferiores estão tirando os superiores de circulação, atraindo pessoas com alto potencial de transformação para se tornarem escravos do dinheiro ou escravos espirituais, bem como estimulando o culto ao ego e enaltecendo vidas vazias. E aqueles que não se tornam escravos, estão dando cabo de suas próprias vidas direta ou indiretamente, basta ver o aumento de suicídios ou mortes por uso de produtos para o culto do corpo perfeito ou cirurgias plásticas, especialmente entre os jovens, que deveriam ser nossa última esperança. A quantidade de pessoas ruins e a serviço de coisas piores, demônios e capetas no linguajar popular, é assustadora. E não devemos mais acreditar nem em crianças como símbolo de pureza, até crianças já estão a serviço dos inferiores, tal como acontece em filmes de terror.

Resta àqueles que querem um mundo livre lutar contra essa tirania, mas não a luta armada ou reativa, este momento já passou, agora é a hora da não-luta, a hora de não alimentarmos os parasitas, deles morrerem de inanição por falta de nossa contribuição energética. É a hora de esperarmos que eles tenham apenas o dinheiro que tanto usurparam para comerem. É hora de esperarmos com calma o início de um novo ciclo, o amanhecer, enquanto isto devemos não aceitar provocações nem no âmbito privado nem no âmbito coletivo, devemos garantir nossa subsistência e daqueles que temos certeza de que são pessoas superiores e nobres.

Tentei ligar para o 0800 da Husqvarna a partir da roça, afinal, moro e uso os produtos dela na roça, mas esse serviço não aceita ligações de celulares. Aí já começa a irritação com o descaso de uma imensa empresa multinacional que negligencia seus clientes por questões de centavos numa ligação telefônica. Esperei o dia em que precisei ir à cidade para efetuar a ligação de um orelhão, tentando encontrar um que funcionasse. Tal como se liga para uma empresa qualquer, uma URA atende e dá opções, escolhi a de reclamação: esperei com musiquinha até que, finalmente, ficou tudo mudo. Aí usei a mesma estratégia para falar com atendentes de qualquer call center, escolhi a opção de informações sobre produtos, afinal, pra vender eles fazem qualquer coisa. Nem assim. Resumo, tive que partir para escrever esse texto, postar em todos os lugares na rede e tentar o “Reclame Aqui”.

Minha reclamação com a Husqvarna é por conta do adaptador para uso do nylon, aparador de relva, para a roçadeira 236R (fotos abaixo), treco caro e mal projetado. Comprei um novo, original, na revenda autorizada de São Lourenço, paguei caro (R$ 75,00), mesmo tendo recebido oferta de um produto similar por R$ 40,00, preferi o original, embora eu já tenha tido problemas com o original que vem com o equipamento. E o problema se repetiu; logo no primeiro uso o guia metálico por onde corre o nylon soltou e desapareceu, claro, no meio do mato e com a rotação é impossível encontrar. Sem esse item, o nylon se rompe com facilidade, além de aumentar a vibração; e quando o nylon se rompe, deixando apenas um lado com o nylon exposto, a vibração é muito alta e, obviamente, a eficiência do corte é perdida. No primeiro adaptador eu usei um anel metálico com a mesma função (as famosas gambiarras), mas de outra roçadeira velha, colei com adesivo epóxi e até que resolveu por um bom tempo, mas não teve jeito. O que faço agora? Não tenho mais como adaptar nada, gastei uma grana que não está fácil ganhar, além de ter que fazer o serviço com lâmina metálica, o que é muito ruim para alguns locais, como perto de canos, mangueiras, pedras e terrenos muito irregulares. E com a lâmina o desgaste do cabeçote é muito maior devido aos impactos inevitáveis com pedras, diminuindo muito a vida útil desta parte da roçadeira, fora as pedradas que tomo.

Esta roçadeira é a única ferramenta mais tecnológica que tenho, além da enxada, pá, cavadeira. É com ela que mantenho roçado as hortas, pomares e cercas elétricas, principalmente porque não uso nenhum tipo de veneno, como o glifosato, para eliminar o mato; mantenho o solo coberto para garantir a umidade com a cobertura vegetal. Mas, tá ficando difícil sem poder usar o aparador de relva.

Fui até São Lourenço tentar achar uma solução, na revenda autorizada. Lá não tem a peça, disseram que nem na Husqvarna tem. Aproveitei e pedi uma cotação do cabeçote (caixa de transmissão), quase cai duro: R$ 440,00. Uma roçadeira que não custa dois mil reais. Bem que os concorrentes me avisaram que as manutenções dos equipamentos da Husqvarna são absurdamente caras. Fui numa concorrente tentar achar uma peça que resolvesse, encontrei uma chingling por R$ 7,00, caro para uma rodelinha de metal. Fiquei imaginando quanto a Husqvarna cobra pela original dela. É uma solução paliativa, como pode ser visto nas fotos, mas não dá para deixar sem roçar.

Sendo assim, como resolvo? Quem me atende? A hora que precisar trocar o cabeçote, vão reduzir o preço na mesma proporção da redução da vida útil? Vou ter que comprar o chingling por R$ 40,00 para poder roçar com nylon? E quando uma empresa que se diz pioneira, moderna e ágil vai aceitar ligações de celulares, num mundo em que o fixo está morrendo? Só as empresas do agronegócio ainda têm fixo, o pequeno e familiar produtor só tem celular, mas esse é pobre e não interessa? Será que a concorrência atende melhor o pequeno?

Mais uma empresa que é aderente ao paradigma das grandes corporações: “Phoda-se você, eu quero é lucro para os acionistas!”



Fiquei estarrecido, para usar uma palavra civilizada, quando soube do procedimento adotado pela Prefeitura de Caxambu para liberação de exames médicos pelo SUS, solicitados pelos médicos do SUS em postos de saúde da cidade. Vamos ao caso.

Um mulher, que mesmo quatro anos após ter se submetido à cirurgia para retirada da vesícula biliar, sofre constantemente com dores e diarreia. Mudou-se recentemente para Caxambu e marcou uma consulta com o clínico geral no “postinho”. Apesar do já conhecido padrão de atendimento público, o médico solicitou uma endoscopia. A mulher foi para o setor de marcação que a informou que o SUS não paga o exame, só com autorização da Assistência Social. Lá foi, então, mais um cidadão otário passar pela estúpida burocracia. Já na Assistência Social, foi informada que a Prefeitura não pagaria tal exame e ela deveria pagar R$ 180,00 (isso mesmo, cento e oitenta reais) pelo exame, pois como ela não usava remédio poderia dispor de dinheiro para pagar o exame.

Não tem jeito, preciso soltar: Puta que Pariu!! Desde quando um critério para identificar hipossuficiência de recursos financeiros é o uso contínuo de algum remédio? Pior, o SUS é universal, se o Sílvio Santos aparecer ali naquela repartição, ele deve ser atendido como outro simples usuário. Neste caso, ele seria atendido pela notória subserviência ao dinheiro, a bajulação que os funcionários fariam, mas eu quero simplesmente dizer que qualquer pessoa deve e tem o direito de ser atendida pelo SUS. Se a Prefeitura não tem dinheiro, se vira, não faça festinha de fim de ano, não pinte meio-fio de calçadas, etc. Educação e Saúde são prioridades. Uso de remédio contínuo é um critério de hipossuficiência onde? Talvez no paraíso neo-liberal onde pobre tem mais que se …, hum, pobre que se exploda. Onde está escrito que para ser usuário do SUS tem que ter atestado de pobreza? No caso do mundo neo-liberal, eles vão exigir atestado de miséria e só vão atender quem chegar desnutrido, para poder emitir o atestado de óbito.

Minha orientação à jovem mulher é que procure o Ministério Público e informe a discriminação sofrida pelas secretarias de Saúde e Assistência Social, talvez por ser nova na cidade, o que caracterizaria xenofobia, bem como exija seu direito aos exames através da Justiça. Ainda deposito confiança no Ministério Público, talvez o último bastião de honestidade neste país, que ainda tem uma Constituição Federal que garante direitos básicos a todos sem qualquer tipo de discriminação, já que os neo-liberais ainda não conseguiram acabar com esta constituição e colocarem nossas vidas inteiramente nas mãos do capital. Quem viver, verá, mas só verá quem tiver dinheiro.

PS.: o mesmo ocorreu com um idoso, 75, pensionista do inss que também é recém chegado à cidade, que pagou R$ 50, 00 por um exame.

A discussão sobre preservação de meio ambiente e recuperação de áreas degradadas, incluindo nascentes e cursos d’água, é rotineira na mídia, rodas acadêmicas e de ambientalistas de botequim. Quando o assunto é aquecimento global, todos são unânimes em dizer que precisamos fazer algo urgentemente, mas entre um gole e outro, ou numa passeata em cidades que a grande mídia mostra.

Já o assunto agricultura familiar só é tema de discussão em feiras de agricultores preocupados com as contas ou em seminários acadêmicos recentes para demonstrar preocupação governamental com esta classe de trabalhadores, mas como numa operação Carmem Miranda, é muito balangandam e pouca concretude. O pouco de concreto é  associado apenas à produção específica de alguns itens, e isto graças à extensão rural, que é o órgão que ainda presta atenção a este segmento. Não há uma linha de serviços sistêmicos ao pequeno e familiar, é tudo orientado a produtos, especialmente as linhas de financiamento. Recentemente, começa-se a observar trabalhos voltados à integração de vários produtos, como consórcios de plantas e animais, mas apenas focado naquilo que nossa sociedade espera: lucro e produtividade.

As ações de governo são estúpidas e inócuas no que se refere a uma produção ecologicamente sustentável de alimentos. A preocupação é com aparências, tanto que o governo anunciou neste início de dezembro de 2016 que vai investir na imagem de sustentabilidade de nossa agricultura, especialmente na Europa, que desconfia da qualidade de nossos produtos. Ou seja, a preocupação é apenas cosmética, sem conteúdo e sustentabilidade de fato.

Não há, pelo menos de forma abrangente e programática, uma linha de orientação ao produtor familiar que inclua o assunto preservação ambiental, exceto alguns grupos auto-organizados de especialistas e apaixonados pelo assunto, como associações de produtores agroecológicos e praticantes de modelos sistêmicos, como sistemas agroflorestais e agricultura sintrópica, que ganhou alguma notoriedade por conta de novela. Se perguntarmos aos típicos e tradicionais produtores familiareso que é uma agrofloresta, permacultura,  evapotranspiração para tratar resíduos, adubação verde, uso de plantas irmãs numa horta ou nomes como Ana Primavesi, Ernst Gotsch ou Bill Mollison, nenhum saberá responder, talvez um ou outro diga que viu alguma reportagem sobre “uns trem estranho” enquanto tomava café da manhã. E esta ausência de orientações técnicas agrícolas e ecológicas mantém o produtor familiar na ignorância ambiental, um refém do aquecimento global, pois é assim que ele se sente, alguém que não pode fazer nada pois é inevitável o fim do meio ambiente pela indústria poluente. Sim, é assim que ele entende as notícias e matérias que a mídia divulga.

Ainda é muito comum, especialmente entre aqueles produtores mais antigos, a noção de que pasto tem que ser limpo e isento de arbustos, topo de montanhas é um bom lugar para o gado, deixar cursos d’água acessíveis ao gado, uso intenso de glifosato até para plantar aquele milho destinado a jogar para galinhas, e a monocultura ainda é a preferência, até quem tem umas vacas de leite e uns pés de café abandona uma das produções. Mas, uma coisa todos esses produtores são unânimes em dizer: antigamente tinha mais água, mas a indústria está acabando com o planeta, por isto não temos mais água. Não há a menor ideia de correlação entre os pastos abertos e roçados com a falta de água na propriedade, a culpa não é dele; pelo menos é assim que se pensa. Na visão deste produtor, o pasto raspado e compactado pelo excesso de gado não tem nada a ver com a diminuição da água. Portanto, se a culpa não é dele, ele não tem que fazer nada, como se devêssemos fazer algo apenas quando somos culpados ou responsáveis.

E ainda existe um outro fator, cultural, que impede que ações de grande porte e de órgãos oficiais tenha sucesso junto ao pequeno produtor, é a descrença e a desconfiança. Na Embrapa, ainda nas décadas de 1980 e 1990, havia uma preocupação dos pesquisadores pelo fato de os produtores, até mesmo próximos aos centros de pesquisa, não acreditarem nas propostas de inovação ou mudanças de técnicas de produção. Os produtores sempre falavam a mesma coisa: “isto é coisa de governo, funciona porque tem dinheiro sobrando, quero ver fazer sem recursos”. Assim ficou claro a necessidade de centros de referência reais e próximos da realidade deste produtor, pessoas que falam a mesma língua, passam as mesmas necessidades e problemas, para que o pequeno e familiar possa acreditar e adotar práticas agrícolas com resultados produtivos e conservacionistas.

Disto tudo nasce a aparente desconexão entre agricultura e preservação ambiental, pior, como se não fosse possível a prática de produção de alimentos de forma a preservar, ou mais, recuperar áreas devastadas por décadas de práticas ignorantes com a único objetivo de obter lucro acima de qualquer coisa. Mas, não há como recuperar e preservar sem os agricultores, ninguém vai sair das cidades em direção ao campo para recompor matas ripárias, topos de montanhas e todos os tipos de áreas de preservação e mesmo recuperar erosões e voçorocas, mesmo havendo técnicas e projetos bem definidos para isto. Por mais que existam projetos maravilhosos para recuperação ambiental, não tem quem coloque em prática, a não ser o agricultor, que já está no campo, só não sabe como fazer, menos ainda o que fazer. A solução é unir a orientação e conhecimentos técnicos com a capacidade de trabalho dos produtores familiares.

Como mudar isto? Ficar sentado esperando algum governante iluminado fazer algo? Não, absolutamente não, nosso destino está em nossas mãos, devemos nos organizar para levar conhecimento e informação ao produtor familiar. Mas, por que o familiar? Simples, o grande e empresarial produtor sabe disto tudo, mas foca apenas na produtividade e lucro, por convicção ou submissão ao poder do capital; já o pequeno é por ignorância, mas é em maior quantidade, ou seja, se houver uma reação em cadeia com o processo de difusão deste conhecimento, o efeito será mais perceptível e rápido, além do que as áreas dos pequenos é próxima aos grandes centros, podendo haver uma maior integração entre os produtores e os moradores de cidades neste processo de recuperação ambiental. Trabalho de formiguinha.

Por tudo isto, os cidadãos responsáveis de fato, que realmente desejam ver nossas águas rebrotando nas nascentes, matas diversificadas nutrindo o solo e animais, precisam se organizar em ONG’s, associações e cooperativas com a finalidade de levar o conhecimento e técnicas de recuperação ambiental e produção agroecológica e sustentável de alimentos aos produtores familiares, através de dias de campo, reuniões em câmaras municipais, sindicatos, escolas, etc. E, claro, realizar mutirões, afinal, “quem quer faz, que não quer, manda”.

Alexandre Guimarães

02 de dezembro de 2016

Em 2014, a região sudeste passou por um período crítico de estiagem, notadamente na região interna ao triângulo São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. As chuvas começaram a diminuir já em final de 2013. E, aparentemente, o mesmo “fenômeno” está ocorrendo agora, final de 2016, o que pode implicar em seca para 2017.

A seca de 2014 que deixou os reservatórios muito baixos na região contrastou com a grande quantidade de chuvas em São Paulo, capital, por exemplo. Ou seja, choveu muito da capital para o sul, mas quase nada para o norte, fazendo a cidade ficar inundada, mas sem água nas torneiras. Também choveu da zona da mata mineira para o norte, e quase nada ao sul. Estranhamente choveu absurdamente acima do normal na região do rio Madeira, em Rondônia. Ou seja, havia água na atmosfera, especialmente a da Amazônia, só não chegou onde normalmente chega.

Alguns fatos não naturais chamaram minha atenção desde meados de 2012, mas com intensidade de ocorrências no final de 2013 até meados de 2014. São eles:

Maio de 2012: dois aviões de grande porte, com barulho muito alto, executaram várias manobras deixando rastros nos céus do sul de Minas, como pode ser visto neste vídeo que eu fiz, neste texto (www.vimarania.com.br/blog/?p=328) escrito naquela época. Desde esta época, eu acompanho o tráfego aéreo local e cruzo a informação com o site www.flightradar24.com que mostra todos os aviões civis em tráfego.

Outubro, novembro e dezembro de 2013: Além das habituais manobras dos caças F-5 na região, houve um aumento significativo do tráfego de aviões-tanque nestas manobras, a ponto de apenas os aviões-tanque voarem, sem os caças para treinamento. Começo a observar a coincidência entre os voos e a dissipação de nuvens carregadas que antecedem as chuvas. Até este momento, fiquei apenas com a sensação de paranoia conspiratória, até porque os aviões que manobravam em vários sentidos não apareciam no flightradar, mas a notícia que mudou minha opinião foi a de que em meados de dezembro a ANAC determinou alteração de rotas dos aviões que partiam do aeroporto de Guarulhos, especialmente os que passavam por sobre a Cantareira, justamente os aviões que passam por minha região, que são os voos domésticos Guarulhos-Nordeste e internacionais Guarulhos-Europa, sendo a volta feita em rotas mais ao sul. Aparentemente para permitir melhor as manobras dos aviões militares.

Já em 2014, enquanto eu regava as hortas num período que deveria ser chuvoso, eu observava que todos os fenômenos associados às chuvas ocorriam, exceto a própria precipitação, como abafamento úmido, céu com nuvens carregadas, cupinzeiros com a base úmida, animais procurando abrigo e até os famigerados mosquitos mudavam de comportamento. Mas nada de chuvas, ao mesmo tempo que aviões pesados (ruído semelhante ao dos Boeing 767) faziam voos por rotas como se costurassem os céus, sentido norte-sul, indo e vindo e cobrindo toda a região, finalizando voltando em sentido leste, Rio de Janeiro. Neste momento não tive dúvidas, estavam pulverizando algo que impedia a precipitação, mas o quê? Numa conversa com um conhecido que é engenheiro de minas, perguntei que tipo de produto poderia fazer isto, e ele me respondeu: “Talvez um álcool”. Foi aí que confirmei minha ignorância em não correlacionar o álcool, afinal é usado como anticongelante até em fluídos de resfriamento. Chegando em casa eu procurei em tabelas de reagentes químicos de livros antigos e encontrei os dados, listados ao final do texto. Além do mais, tal produto é muito fácil de ser produzido e transportado em grande quantidade. Neste momento, eu não tive mais dúvidas, as Forças Armadas, usando a Aeronáutica, estavam pulverizando os céus do sudeste para evitar chuvas.

E o álcool explicava um outro fenômeno que eu estava observando nesta época, janeiro a março de 2014: o fim de tarde rosado, típico do inverno, estava ocorrendo no meio do verão. Teria que haver algo na atmosfera que estivesse mudando o índice de refração para isto ocorrer, e o etanol e metanol provocam este fenômeno de desvio pro vermelho, tanto que são usados em espectrometria do ultravioleta.

Claro que em conversas com várias pessoas, exceto aqueles que também estão em áreas afastadas no sul de Minas e podem observar melhor estas manobras, me chamaram de louco paranoico. Mas eu tinha certeza de que algo estava ocorrendo intencionalmente, nada a ver com aquecimento global ou coisa do tipo. Aliás, isto me intriga, por que as pessoas acreditam que o homem pode mudar não intencionalmente o clima do planeta inteiro e não poderia fazer isto de forma localizada e intencional? Uns me diziam que ninguém iria querer prejudicar o país, no que eu pergunto: se somos capazes de explodir uma bomba nuclear para aniquilar imediatamente centenas de milhares de pessoas, por que não poderíamos usar esta crueldade de forma mais sutil para obtermos algum poder a mais?

O que me preocupa agora é que o mesmo fenômeno está ocorrendo neste final de 2016, poucas chuvas no sul de Minas, mas chuvas intensas em São Paulo e Juiz de Fora, por exemplo. Voos de aeronaves pesadas em manobras intensas e repetitivas fora das rotas comerciais, que haviam parado e voltaram a ocorrer, com os mesmos episódios de chuvas que armam e não precipitam. E um fato novo ocorreu recentemente: a denúncia da ANP da adulteração de 16 milhões de litros de etanol, com adição de metanol para baratear, por grandes refinarias justamente no Rio de Janeiro, onde fica a base aérea do Galeão, de onde partem os aviões-tanque. O mais estranho são as grandes refinarias fazendo isto, não é coisa de caminhoneiro parando na estrada para adulterar, mas BR, Shell e Ipiranga. Mais estranho foi esta notícia ter sido esvaziada logo depois.

Outra coisa pode estar ocorrendo para ajudar a não precipitação, mas não posso comprovar pelo simples fato de não ter em mãos um analisador de espectro eletromagnético, o que permitiria saber se estão usando radiações eletromagnéticas de muito baixa frequência para promover o aquecimento local de camadas mais altas da atmosfera, a partir de antenas deste tipo em São José dos Campos (onde está o INPE), por exemplo.

Muitos com quem converso me questionam por qual motivo fariam isto e a serviço de quem. A serviço de quem é um tanto óbvio para mim, mas como não “brinco” de wikileaks, não tenho como comprovar nada. Agora, qual o motivo? Sinceramente, não faço a menor ideia do que está motivando esta ação, talvez seja apenas teste de tecnologia para controle climático ou as chamadas armas climáticas, afinal, ano passado choveu acima do esperado nesta região, o que também pode ter sido provocado. E o que dizer da seca anormal no Espírito Santo? Mas, uma coisa é certa, estão “brincando” com o clima no sul de Minas, pulverizando álcool em nuvens com aviões militares. Posso arriscar afirmar que estão envolvidos os militares brasileiros e americanos, pesquisadores e cientistas de várias instituições, como a brasileira INPE.

Tem mais alguém interessado nisto? Que tal investigarmos mais a fundo? Um analisador de espectro? Alguém contando quantas vezes os aviões-tanque levantam voo? Sondar com os técnicos de regulação da ANP? Se você acha que é só mais uma piração e que ninguém teria interesse neste tipo de tecnologia, o mesmo tipo de reação ocorreu quando desenvolveram as primeiras bombas atômicas, ninguém acreditava que seria possível provocar uma destruição dessas, e hoje sabemos muito bem. Portanto, abra sua mente e ajude a identificar o que estão fazendo e a mando de quem, com qual objetivo, afinal, estas pesquisas aqui no Brasil são feitas com nosso dinheiro, pelo menos os salários dos pesquisadores, já que muitas corporações devem estar investindo horrores neste tipo de projeto. Pior ainda, pode ser que já estejam fazendo uso desta tecnologia com algum objetivo que ainda não consigo identificar, afinal, por que provocar esvaziamento de reservatórios, uso de termoelétricas, aumento nos preços de produtos agrícolas por conta da redução na produção, falta d’água em cidades como São Paulo e o pânico coletivo associado?

dados químicos

Metanol: CH3OH

Ponto de ebulição: 64,509 ºC

Ponto de congelação: -97,49 ºC

Usado também em espectrometria do ultravioleta

Etanol: C2H5OH

Ponto de ebulição: 78,325 ºC

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Usado também em espectrometria do ultravioleta

Alexandre Guimarães

28 de novembro de 2016

Hoje em dia é comum ouvir pessoas nas grandes cidades dizendo que querem ir para cidades menores ou mesmo pequenas comunidades nas áreas rurais. O que leva pessoas com todo o suposto conforto da moderna civilização a desejarem isto? Mas, por que não seguem este desejo? É, de fato, fácil a vida na moderna e tecnológica civilização, como somos doutrinados a acreditar pela mídia? Que outros fatores podem motivar pessoas com elevados graus de instrução a desejarem vidas mais simples? Será o trânsito? As contas em profusão, como telefones, condomínios, escolas, luz, água, impostos, pedágios, que deveriam servir para facilitar nossas vidas, mas que complicaram sobremaneira? A vida solitária no meio de milhões de outras pessoas? A falta de alimentos para o “EU”, como um “bom dia” sincero do vizinho? Eu não sei exatamente o que provoca este movimento, mas no meu caso a resposta é bem mais simples, acho.

Desde muito pequeno, fui doutrinado, através de lavagem cerebral mesmo, a acreditar que quem não estuda puxa carroça quando cresce. Ouvia, com frequência, palavras como:

— Menino, pare de jogar bola e vai estudar se você não quer puxar carroça.
— Quem não sabe datilografia acaba no cabo da enxada.
— Quem não sabe ler tem que raspar bosta de boi.
— Larga isso aí que é trabalho de pobre.

E por aí vai. Mas, também fui doutrinado a acreditar na honestidade, na retidão de caráter, na coerência de ideias, que hipocrisia era uma coisa ruim, que não deveríamos fazer ao outro o que não queremos que nos façam. Até aí, tudo bem, até o momento em que se começa a comparar as palavras com as atitudes das pessoas, notadamente de familiares, o nosso grande universo, afinal, o mundo é somente aquilo que podemos ver, naquele momento, claro! Quando deixamos de ser meros observadores do mundo da Física Clássica e passamos a ser observadores do mundo quântico, ou seja, quando deixamos de ser absolutamente passivos em nossas percepções do mundo e passamos a alterar este mundo com nossas próprias observações, o mundo desmorona. Exatamente como na quântica, quando observamos um evento nós o destruímos, ele deixa de ser aquilo que acabamos de ver.

A partir do momento em que comecei a comparar o que eu observava com o que eu aprendi e vi que não era a mesma coisa, parti para o confronto ou, em especial, o questionamento do outro sobre porque se fazia diferente do que havia me falado. Então, o mundo desabou na minha cabeça, junto com chinelos, cintos, ofensas e, mais tarde, com os isolamentos rotineiros daqueles que perturbam a ordem vigente. Assim, tentei aprender a me enquadrar no mundo do “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Pelo visto, fracassei.

O exemplo mais marcante em minha vida, que sempre uso como exemplo nas conversas de botequim, é o fato de minha mãe sempre arrumar tudo para meu pai, naquele comum universo machista do patriarcado vigente, até o prato de comida minha mãe arrumava, incluindo fatiar a banana. Esta imagem nunca saiu de minha cabeça! Como poderia um homem que ditava regras, que dizia que temos que fazer isto ou aquilo, que temos que ser fortes, que homem não chora, que se deve fazer a obrigação sem reclamar, etc. não ser capaz de arrumar a própria comida, nem o próprio prato? Com isto, tornei-me um eterno insatisfeito por não ser capaz de verticalizar todo o processo produtivo, eu me sentia um vagabundo incompetente ao comer um pão que eu não tinha sido capaz de fazer. Quando fui capaz de fazer o pão, fiquei frustrado por não ter sido eu a produzir a farinha nem ter plantado o trigo.

Isto também aconteceu na minha vida profissional. Eu comecei como programador de computador, um nível que podemos dizer mais alto nesta cadeia de T.I. (Tecnologia da Informação), afinal, usava-se praticamente só o cérebro, o que é trabalho de gente, pois quem faz força é peão. Mas isto não satisfazia, aí precisava ligar computadores com outros computadores, fui “descendo” de nível até ir para infraestrutura de redes, chegando a passar cabos. No universo de T.I., desconheço área que eu não tenha passado, pois eu achava que eu tinha que saber fazer aquilo que eu mandaria outro fazer. Isto me tornou um obcecado pelo conhecimento, pela atividade e, por fim, transformou-me num zumbi imbecilizado incapaz de fazer uma simples reunião para decidir sobre um projeto qualquer. Na empresa, não era raro eu mandar um funcionário sair do computador para eu fazer o que deveria fazer, sem paciência para esperar o tempo próprio da situação; passei a desejar controle absoluto. Qualquer pessoa pode imaginar a que isto leva.

Outro episódio que sempre comento é quando cheguei em casa depois de mais um dia de trabalho na área de T.I. e fiquei olhando para meu filho mais velho, que já deveria estar na casa dos 18 anos. Aquela visão mais detalhada e concentrada me incomodou, pois ali tinha um homem dentro de minha casa e que eu não sabia quem era. Definitivamente havia um homem desconhecido em minha casa, alguém que brotara do nada sem a minha menor participação. Aliás, pior, minha participação tinha sido desastrosa na formação daquele homem estranho. Meditei mais um pouco e percebi que era ele o menino que eu vi nascer quando eu tinha apenas 17 anos, troquei fraldas, curei o umbigo (sim, fui eu mesmo que cuidei do umbigo dele), vi dar os primeiros passos, ouvi as primeiras palavras e, de repente, nunca mais vi mais nada, fui abduzido por uma nave sistema que me levou para mundos distantes daquele. E, quando retornei, o menino era homem, como se eu tivesse viajado em velocidades comparáveis à da luz, quando o tempo não passa para o viajante, mas passa mais rápido para quem fica. Simplesmente eu não vi meu filho mais velho crescer!

Mas, não foi só o estresse final referente ao trabalho que me fez resolver ter uma vida mais simples. Esse mesmo defeito obsessivo me fez querer ser capaz de produzir meu próprio alimento, eu não admitia que alguém que comesse não fosse capaz de plantar sua alface, matar sua galinha, colher seu feijão. Não bastasse ser capaz de produzir o alimento, eu não poderia usar insumos externos, eu deveria ser capaz de manter controle total. Como numa empresa que não terceiriza nenhuma de suas atividades. Isto me levou a buscar uma agricultura agroecológica.

Assim, cheguei à roça.

Galera, após cerca de três meses na civilização, tentando alguma coisa que nem eu mesmo sabia exatamente o que era, volto para minha roça. Uma das coisas que eu queria era gerar informação suficiente para garantir que minhas percepções da realidade não estavam tão erradas; de fato, minhas percepções estavam erradas, a situação é bem mais grave do que eu imaginava. As pessoas estão mais imbecilizadas que há quatro anos, mais agressivas e egocêntricas, bem menos tolerantes. A outra era arrumar alguma atividade ou projeto curto que me permitisse levantar alguns trocados para investir em produção na roça. Do mesmo jeito que minha percepção volta pior, meu bolso também; volto agora sem as cabras, sem computador e sem a kombi.

Neste período, eu tive muito contato com as notícias fora da grande mídia e opiniões de pessoas, digamos, bem informadas, através de provocações tanto em redes sociais, blogs, vasculhas de documentos e papos ao vivo com pessoas, pasmem. Entretanto, pude perceber claramente que não há distinção entre islâmicos fundamentalistas, evangélicos fundamentalistas e defensores fundamentalistas do $i$tema e demais babacas metidos a resolver os problemas de todos menos os próprios, são todos hipócritas que querem apenas se autoproclamarem santos e de bom caráter, quando na verdade são uns escrotos oportunistas defendendo seus quintais por medo da existência de seres melhores. Sim, ainda existem alguns seres muito bons, mas eles não aparecem. Minha experiência de provocar reações controladas provou-me que pouca esperança há para uma real vida em sociedade; além da grande maioria que é, de fato, rebanho bem adestrado e vai terminar em um frigorífico, só é possível viver nesta sociedade as pessoas com avançado grau de controle emocional para ser um espreitador, fingir autismo social e tirar proveito disto, ou ser do grupo de comando. Não entendam grupo de comando como a elite social, esta elite é mais rebanho que crente fanático; grupo de comando é quem define exatamente o que cada um vai fazer, em qual manifestação comparecer de acordo com o valor do smartphone, o tipo de igreja que frequenta, quanto paga de mensalidade naquela faculdade de merda e qual canal de TV assiste, se aberta ou paga. Hoje temos pessoas preocupadas em aparecer na mídia ou no facebook posando de defensores do meio ambiente, compartilhando fotos de matas e bichinhos, administrando ONG’s interessadas em repasses de dinheiro das corporações e do governo que tanto chamam de corrupto para sustentarem seus sanduíches e refrigerantes no ar-condicionado, mas que são incapazes de plantar uma árvore sequer, a menos que tenha alguém tirando uma foto; projetos de recuperações ambientais decentes? Nem pensar, só se aparecer no Grobu Rural.

Apesar de voltar com menos ainda do que eu tinha quando saí e com mais braquiária na horta e pomar, fora uns quilos a mais recuperados na barriga, tenho mais convicção de que ainda preciso ficar na roça, seja para preservação mental e psicológica, seja para adquirir mais energia que me permita espreitar com mais qualidade e assim poder imaginar uma vida menos nociva e intoxicante para mim; é imprescindível tornar-me indisponível ao sistema como um todo. Viver DA roça é bem diferente de viver NA roça, apesar de muitos acharem que a vida no campo é pegar alface fresca na horta e jogar milho para as galinhas. Mesmo sendo serviço braçal puro, serviço de peão analfabeto, é muito mais gratificante e edificante mental, emocional, física e espiritualmente que qualquer trabalho que atualmente eu poderia exercer nesta sociedade doente e terminal, pois quase qualquer coisa que eu pudesse fazer serviria para alimentar um sistema com o qual não consigo compactuar desde que me entendo por gente, por isto sempre pareci inconstante, rebelde, revoltado e, sobretudo, mal-educado.

Infelizmente, não posso me enganar e usar frases de funcionários públicos exemplares dizendo, hipocritamente e às 18 horas, que estou com sensação do dever cumprido. Não, não volto com o dever cumprido. No resumo da ópera, me fodi! O paradoxo, consolo ou revolta, é que não é a primeira vez. A todos que contribuíram positiva e negativamente com minha busca, deixo meu muito obrigado e desejo sincero de que tudo isto seja apenas uma fase estranha no caminhar da humanidade. Inté mais!

Um episódio hoje me deixou mais revoltado ainda. Andávamos, eu e minha companheira, pela praia de Guarapari – ES, quando ela disse que queria água de coco, mais até pra comer o coco do que pela própria água. Para minha surpresa, ao perguntar ao cara do quiosque por partir o coco para que pudesse o fruto ser devidamente devorado, ele respondeu que por ordem da prefeitura isto é proibido. Fiquei sem entender, inicialmente achei que era brincadeira do cara, mas, não, ele falava sério, e disse que a prefeitura publicou esta norma para evitar que se encontrasse pelas praias dois pedaços de coco em vez de apenas um, o que dá mais trabalho para a limpeza. Falou também que é para não ter facões disponíveis para evitar brigas.

Portanto, em Guarapari, não se pode comer coco porque tem gente que suja a praia e outros que brigam. Simples assim. Vivemos em uma sociedade completamente doente, onde as regras são feitas para todos, mas baseadas em poucos doentes. Assim, a sociedade toda começa a ficar contaminada pela doença de poucos, largando toda ela completamente doente, moribunda.

Mas, o mais importante deste episódio, foi que minha companheira comeu o coco, porque eu resolvi quebrar o coco no chão, mesmo ela já se dirigindo para o lixo para jogar fora o coco inteiro, o que eu, indignado, não permiti. Portanto, fica claro, nesta sociedade hipócrita, que somente podemos ter nossos direitos minimamente defendidos se quebrarmos o coco, ou melhor, as regras. Que a passividade diante de regras estúpidas nos conduzirá, apenas, à estagnação subserviente ao poder vigente e aos podres humanos que se encontram no exercício deste poder, não aquele poder de verdade, o poder que permite que coisas aconteçam, mas o poder do não-poder, aquele que um sujeito exerce para impedir que outro ou outros façam alguma coisa, aquele poder exercido para alimentar o ego de um imbecil, para ele sentir-se superior ao outro, o famoso porteiro de puteiro, o cara que tem o grande poder de impedir que alguém entre para se divertir, ele sente-se o todo-poderoso capaz de influenciar toda sua vida. O barnabé que te responde, depois de você se humilhar e mofar numa fila de repartição pública: verei o que posso fazer. Como se coubesse a ele o destino de toda a humanidade e, em especial, o destino de toda sua vida, inclusive após a morte. E existem pessoas assim em uma profusão inimaginável, até mesmo aquela pessoa que você acredita ser um humildezinho coitado, basta ter oportunidade para dizer, com voz grossa e encorpada: Não, você não pode fazer isto!

Existe um outro aspecto muito importante, o dinheiro! Tudo em nossa sociedade tem motivação financeira, não existe, absolutamente, almoço de graça. O que me faz pensar em outras motivações para a regra do coco inteiro, além da imbecilidade administrativa; alguém tem que lucrar com isto. Oras, em Guarapari, todos sabem que os cocos recolhidos diariamente pela limpeza pública são destinados à indústria automobilística para a forração dos estofamentos dos veículos, notadamente em uma fábrica no sul da Bahia. É bem provável que a indústria pague mais pelo coco inteiro, menos danificado, que exigiria menos tratamento para garantir a limpeza, já que um coco partido levaria mais areia para os automóveis. É, portanto, bem plausível que esta regra de não se poder cortar o coco seja porque alguém lucra muito mais com ela. E, como vivemos no Brasil, quem lucra muito e tem poder também compra leis.

Concluindo, como eu disse para minha companheira: se você quer comer coco, quebre as regras. Desobediência civil já.

As eleições municipais estão aí e os homens e mulheres que sonham com o poder já estão nas ruas pedindo votos e prometendo mundos e fundos. Muitos buscam a reeleição e outros tentam empurrar seus afilhados políticos para assumirem a cadeira, ou o trono, para que continuem mandando, mesmo que com nome de outros. No final das contas, pode até ser que mudem as moscas, mas a merda será sempre a mesma.

Nesta época, os candidatos lembram de lugares em que nunca estiveram, nem mesmo nos últimos quatro anos, como é o caso daqueles que tentam a reeleição. São de uma hipocrisia sem pudor. Basta ver, para provar isto, o estado das estradas rurais, aquelas estradas utilizadas para o escoamento da produção de alimentos, aquilo que todo mundo precisa ter na mesa, ou seja, item de primeiríssima necessidade. O mais estranho é que entra governo, sai governo, esses candidatos a bezerros para mamarem nas tetas do povo prometem arrumar as estradas das roças, pois o homem do campo é importante para a cidade. O pior disto tudo, é que este discurso não tem sido feito com muita frequência mais, pois as roças estão ficando vazias, pois as crianças precisam estudar e as vans municipais, que tem obrigação de buscar estas crianças, não conseguem nem chegar. Se a roça está vazia, não tem voto, se não tem voto, político hipócrita não está nem aí. Mas vai subir no palanque, da cidade, e falar que vai dar apoio ao produtor rural. Na verdade ele está falando daquele produtor rural grande, rico, que mora na cidade e exerce tremenda influência, ou seja, o político está bajulando.

Este é o caso de Conceição do Rio Verde, simpática cidade do sul mineiro, que tem estradas em condições de impor respeito aos jipeiros mais experientes, mas com um detalhe, não são pistas de off-road, são estradas de acesso para as casas do homem do campo, para as áreas de produção de alimentos, para o escoamento desta produção, enfim, acessos que deveriam ser garantidos pelo governo, pois é constitucional o direito de ir e vir. Bom, desde que se tenha um bom jipe e um bom braço, é possível sair de casa. Assim, o produtor, aquele sujeito que tem seus produtos com preços ditados por um mercado invisível e que está quase sempre na pindaíba, não pode ter um veículo popular, simples e com baixo consumo, tem que ter um 4×4 beberrão para compensar a falta de administração e vontade política. Na prática, o produtor mora numa cidade sem prefeito. Basta ver as fotos, que foram tiradas em época de poucas chuvas. Quando chove, a situação é crítica, e não é raro encontrar veículos atolados, principalmente as vans que levam as compras de mercado. Tem estrada em Conceição do Rio Verde que é tão ruim, em péssimo estado, que teve vezes que para sair da zona rural era necessário utilizar outra estrada, mais longa, de outro município, Soledade de Minas, cuja prefeitura tinha um pouco mais de consideração, mas por conta de uma área com mais eleitores.

O que será que vai acontecer nestas eleições agora? Eu queria ver candidatos aparecerem nestas zonas, as rurais, e não aquelas com luzes vermelhas, com seus próprios carros. Será que terão coragem ou pedirão os jipes emprestados? Nada disto, a quantidade de votos nas roças é muito pequena, não vai compensar o nobre candidato ao trono municipal gastar tempo e dinheiro. Como diria nosso ex-presidente, tamufu!

Clique nas fotos para ampliar.

O que é um cidadão? A origem da palavra é clara, cidadão é um sujeito que mora na cidade. Hoje, deram outra conotação para esta palavra, que significa aquele que tem e exerce seus deveres e direitos, especialmente os políticos. Mas, no fundo, é uma grande balela, cidadão ainda é aquele que está nas cidades, pelo menos é isto que tem demonstrado as recentes discussões político-sociais, especialmente sobre legislação ambiental.

Ora, o sujeito que mora nas zonas rurais desde país é tratado de forma diferente daquele que mora nas cidades, basta ver:
- O direito de ir e vir é ridículo, as estradas estão em condições miseráveis. Quem não tem um bom jipe para chegar em casa tem que andar a cavalo ou mandar a família morar na cidade durante a semana. Isto acontece porque a quantidade de habitantes na zona rural está diminuindo, consequentemente tem poucos votos, nenhum político decide eleição com voto da roça.
- Telefonia parece piada. Não existe telefonia fixa nas zonas rurais, mas em alguns lugares até chegam sinais de celular. Mas, pasmem, muitos dos serviços prestados por telefone, os 0800, não aceitam ligações de celulares. Até mesmo empresas que vendem produtos para o produtor rural na televisão colocam números tarifados para quem ligar a partir de celular e gratuitos para chamadas originadas de fixo, ou seja, o cidadão.
- Internet na roça? só quando o produtor é rico e desembolsa uma boa grana para instalar rádio, ou quando o novo morador rural é egresso do mundo da tecnologia, aí ele mesmo instala e configura seus radinhos mais baratos.
- Energia elétrica é um serviço que melhorou bem, recentemente, mas por conta dos subsídios que o governo deu para as operadoras, sob custos e benefícios que ninguém sabe e nem saberá.
- Educação é outra palhaçada. Se para os cidadãos a educação pública já é lastimável, imaginem para os roceiros, quilombolas ou indígenas. Além de ser sofrido o caminho até à escola, a qualidade do ensino é horrorosa, infraestrutura é precária. Isto tem desmanchado famílias, pois já está comum nas roças a mulher se mudar para a cidade com os filhos, para estes poderem ter uma educação um pouco melhor, e largam os maridos no trabalho do campo. Para poder aliviar as despesas, as mulheres precisam arrumar empregos, ou subempregos, deixando de produzir alimentos ou agregar valores à produção que o marido faz.

Mas, o que mais tem chamado minha atenção para esta diferenciação entre o cidadão e o roceiro é a nova lei ambiental, que é um primor de discriminação, violando a Constituição Federal quando diz que todos são iguais perante a lei. As regras que valem nas cidades não valem na zona rural, especialmente as que se referem às áreas consolidadas. Até entendo considerar margens de rio como área consolidada em cidades, fico imaginando uma cidade como Teresópolis que tem todos os edifícios do centro da cidade construídos às margens do rio Paquequer, sem nenhuma rua entre eles, ou seja, as costas dos edifícios estão quase dentro d’água, com seus esgotos ali para quem quiser ver. Ou ainda, imaginar reflorestar os jardins das mansões que existem às margens do rio Guaíba, em Porto Alegre. E todos aqueles condomínios maravilhosos de gente importante na Barra da Tijuca, às margens da lagoa Marapendi, área de mangue? Mas, um pequeno produtor que tem sua terra numa margem de um córrego de menos de um metro de largura, já desmatada há mais de cem anos, anterior à lei de 1965, que já sustentou esse pais de leite e café, é justo que agora não toque mais nela, seja obrigado a seu próprio custo a reflorestar, para benefício dos cidadãos? Então, além de todos os outros direitos que o roceiro não tem, citados acima, o direito constitucional à propriedade privada também está sendo violado. Mas, dirão os cidadãos que é por um bom motivo, a salvação do planeta por conta de um aquecimento global que virou religião entre os ambientalistas, já que acreditam como se fosse dogma, e um ótimo negócio para os capitalistas, ainda mais com esta nova onda de economia verde, deixando o produtor com a conta no vermelho. Enquanto os roceiros preservam as nascentes e margens de um rio Tietê, por exemplo, os cidadãos o matam em questão de poucos quilômetros quando suas águas passam pelas margens preservadas de asfaltos e alimentadas por milhões de bocas de esgoto doméstico, industrial e lixos de uma civilização decadente.

Então, os roceiros agora têm tratamento diferenciado, nova palavra do momento. São tratados oficialmente de forma diferente e terão suas propriedades violadas pelo mesmo Estado negligente para salvar cidadãos que jogam lixo nos rios, lagos e manguezais, constroem nas encostas para desabar durante as chuvas, com apoio de ONG’s com interesses espúrios que mantém em seus quadros reis caçadores de elefantes e seguidos por ambientalistas que defendem sua fé no aquecimento global da mesma forma que os fanáticos religiosos defendem o apedrejamento de homossexuais ou mulheres que amam.

Do mesmo jeito que os países industrializados e com natureza já destruída pressionam e mandam os países em desenvolvimento preservarem sua natureza e contenham seu desenvolvimento para que estes países continuem dependentes daqueles poderosos, os cidadãos querem que os roceiros, quilombolas e indígenas preservem e diminuam sua capacidade produtiva para que os cidadãos possam acabar com seus rios que cortam as cidades, poluindo à vontade, e se desenvolvendo de tal sorte que mantenham a produção de tudo que é realmente essencial para o ser humano, alimentos e água, sob controle desses cidadãos. E manter o produtor rural em situação financeira complicada é importante para que não hajam problemas sociais realmente sérios, pois o produtor não pode deixar de entregar seus produtos para protestar ou demonstrar sua importância, não tem poder de luta, afinal, se não vender sua produção por preços ditados por engravatados do ar-condicionado que nunca viram uma enxada perderá muito, até mesmo suas terras que estão penhoradas para garantir produção de alimentos para a sociedade, para os cidadãos. Eu gostaria de ver os CEASA’s desabastecidos por uns quinze dias, mas o já surrado homem do campo não tem esta força.

Em resumo, podemos concluir que agricultores, quilombolas e indígenas não são cidadãos, nem no sentido original da palavra nem no sentido atual. E ainda serão considerados criminosos se não entregarem parte de suas terras para os cidadãos, através de um Estado que começa a mostrar suas garras despóticas, já que isto aproxima-se de um golpe, pois é intervenção estatal na liberdade de uso da propriedade rural. Além disto, os não-cidadãos terão que trabalhar de graça para manter estas áreas bonitas, limpas e com sua biodiversidade recuperada. E os ambientalistas ainda estão ajudando este governo a dar o golpe, legitimando suas ações e garantindo que tudo isto é para o bem de todos e salvação do planeta. Aos poucos vão estatizar as terras e acabar de entregar a galinha dos ovos de ouro para o capital privado, como telecomunicações, transportes, aeroportos, mineração, bancos, saúde, previdência, etc. Deste jeito, só vai sobrar nas roças os peões que trabalharem para os empresários rurais que moram no conforto das cidades, e otimizam suas produções com base na mecanização de precisão, uso intensivo de agrotóxicos e grandes propriedades. Como diria nosso ilustre ex-presidente, tamufu!

Chem trail, ou rastros químicos, como são chamadas as supostas trilhas de fumaça lançada por aviões, semelhantes à condensação provocada pela umidade do ar, já foram motivos de vários vídeos, inclusive reportagens do Discovery Channel. Mas, continuam fazendo parte do imaginário de alguns, inclusive dos adeptos das teorias conspiratórias.

Há aqueles que defendem que grupos de pessoas, com bastantes poder ou ligadas a governos, estão lançando substâncias estranhas através de aviões, inclusive comerciais de transportes de passageiros. Devo confessar que nunca me interessei especificamente por este assunto, embora tenha interesse em entender as manipulações do povo ou aqueles segredinhos que muitos não gostam de falar. Mas, isto mudou hoje, dia 31 de maio de 2012, às 9:20 da manhã, quando flagrei dois aviões, jatos provavelmente, em manobras nada convencionais, deixando um rastro que não me pareceu ser de condensação, pois foram interrompidos abruptamente e simultaneamente pelo dois aviões, que voavam a uma razoável distância um do outro e foram embora juntos. Além disto, vi os aviões comerciais passando em suas rotas normais sem deixar rastros, no mesmo horário, ou seja, não era umidade do ar. Poderia ser uma simples fumacinha que dois jatos militares estivessem lançando apenas para algum treinamento, mas vai saber. Isto ficará a cargo de vocês.

Estes aviões, que estão nas fotos e filmagens a seguir, voaram em rotas que não passam aviões normalmente aqui (exceto de pequeno porte quando decolam ou pousam em São Lourenço), na divisa de Conceição do Rio Verde e Soledade de Minas, no sul de Minas. Não é raro a passagem de caças F5, inclusive a baixa altitude, sendo que no ano passado, em setembro e outubro os rasantes eram quase diários, e de uns tempos para cá sumiram. Mas, tem uns três ou quatro dias que venho escutando aviões, por longos períodos e várias vezes ao dia, como se estivessem dando voltas na região e não de passagem, mas sem visualização, o que tem me chamado a atenção, mas não como hoje, quando deixaram os rastros.

Melhor do que falar é mostrar as fotos e vídeos. Para aqueles que tiverem algum tipo de acesso às informações sobre voos de treinamento militar, as coordenadas aproximadas são 22:00 S 45:02 W, e estes dois aviões devem ter sido vistos em Soledade de Minas e Caxambu, talvez também em São Lourenço. As fotos mostram a sequência dos rastros por um período de aproximadamente 30 minutos. Quem se interessar pelas fotos originais, sem redimensionamento, entre em contato que envio via e-mail ou disponibilizo link para donwload.

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