Alexandre

Foi encontrado, em Jerusalém, um pergaminho que corrige um trecho da Bíblia, mais precisamente do Gênesis. A veracidade do pergaminho foi confirmada por bispos pregadores da madrugada, pelo William Bonner, pela Xuxa e pelo Carlinhos Cachoeira, este com sua declaração de autenticidade gravada pela Polícia Federal. No pergaminho está escrito:

” Ao oitavo dia, depois de Seu descanso, Deus sentiu um friozinho e disse: faça-se o aquecimento do paraíso. E Deus viu que o calorzinho era bom e resolveu agradar aos homens, sua mais notável criação, bondosa e altruísta; então Ele disse: faça-se o aquecimento global.”

É baseado neste trecho que foi criada a nova religião: Estufacionismo, praticada pelos fundamentalistas ecoxiitas que acreditam que os homens são os únicos responsáveis pelos gases de efeito estufa. Esta religião prega que devemos acreditar que Deus criou o aquecimento global para eliminar os homens maus do planeta, através de enchentes, maremotos, etc. Esta religião não cobra dízimo, eles querem que paguemos pelo ar que respiramos, através do mercado de carbono, afinal, Deus nos deu o oxigênio. Entre os rituais dos ecoxiitas, estão as passeatas por avenidas de concreto nas grandes cidades, comendo hamburgueres, bebendo refrigerantes e proferindo palavras sagradas para exorcizar o planeta dos diabólicos agricultores destruidores das matas, rios, florestas, gnomos e duendes. Os ecoxiitas estão instituindo o sacrifício de vacas e bois, pois o peido destes animais é responsável pelo aumento dos gases do efeito estufa. A legião de fiéis da nova religião está aumentando, principalmente depois que seus líderes anunciaram que seus mártires, os ecoterroristas, terão direito a hamburgueres de carne de isopor, com pão feito de trigo artificial de poliuretano, refrigerantes sintéticos com sabor remédio, todos produzidos sustentavelmente sem nenhuma plantação ou criação animal, usando apenas petróleo extraído sem provocar danos, nem emissões de gases, e processados nas refinarias sustentáveis e diferenciadas do Greenpeace, WWF e igrejas similares.

Brasília – Ontem, dia 13 de agosto de 2016, o presidente dos EUA, Barack Obama, declarou guerra aos ET´s (seres alienígenas) por terem atacado um símbolo americano, a bandeira dos Estados Unidos fincada na Lua.

Tudo isto começou depois que os astronautas brasileiros pousaram na Lua, em uma missão extraordinária que demonstrou o espírito de união do povo brasileiro. Em apenas quatro anos, a Agência Espacial Brasileira conseguiu dinheiro e tecnologia para chegar lá. Mas, os astronautas brasileiros, um carioca, um paulista e um mineiro, assim que pousaram no satélite, procuraram a bandeira americana para poderem ficar a bandeira brasileira ao lado da dos pioneiros na exploração espacial. A expedição brasileira também desceu no Mar da Tranquilidade, em posição próxima do pouso da Apollo 11 em 20 de julho de 1969. Após as declarações dos astronautas brasileiros de que não acharam a bandeira americana, o Presidente dos EUA anunciou:

- O povo americano vai iniciar uma caçada aos terroristas alienígenas responsáveis pela retirada da nossa bandeira. Em uma ação preventiva, vamos iniciar a construção de naves espaciais para perseguir estas criaturas do mal até os confins do Universo. Mas, vamos procurá-los aqui na Terra também, afinal, se eles chegaram na Lua, eles já estão entre nós. Assim, vamos invadir todos os países do mundo com nossas forças de paz para vasculhar cada caverna, cada mansão, cada cantinho, até encontrarmos esses fundamentalistas galácticos que perseguem o povo livre da América. E qualquer pessoa com cara de ET será levada para nossa base de interrogatório humanizado instalada no Alaska, que substituiu a base de Guantânamo. Lá usaremos as modernas técnicas de convencimento: simulação de enforcamento, simulação de palitinho debaixo das unhas, simulação de esmagamento de partes íntimas e outras simulações.

Tudo isto foi motivado pela conversa dos astronautas brasileiros que foi transmitida ao vivo pela televisão e Internet. Disse o mineiro: – Uai, onditá a bandera dus ômi? Num tá aqui não.

O paulista respondeu: – Ôrra, mano! É mesmo, mas fica sussa que nóis acha!

O carioca disse: – Pô, mermão, tu não entende boxta ninhuma. Num tá vendo que teve um arraixtão aqui. Vai vê uns cara tipo da comunidade passou por aqui. Aí, os americano perdeu.

Acredita-se que a última expressão, dita pelo carioca, foi a gota d´água, afinal, os americanos nunca perdem.

O outsourcing ou a terceirização dos setores de tecnologia da informação (T.I.) das empresas é, ainda, assunto de muitas discussões inconclusivas entre executivos e consultores. Estas discussões são sempre baseadas ou norteadas pelo aspecto financeiro, negligenciando aspectos como qualidade e eficiência dos serviços ou mesmo a importância do controle do conhecimento, técnico ou do negócio, para a empresa.

Sem a pretensão de colocar um ponto final nesta discussão, que muitas vezes é o “ganha-pão” de muitos consultores e a justificativa de reuniões de trabalho de diretores, vou mostrar que o outsourcing só é válido em situações especiais, estratégicas e sob rígidos controles de qualidade.

O primeiro ponto comumente discutido é se a área de T.I. é parte do negócio ou não. Frequentemente as justificativas para a terceirização são baseadas no fato de que a informática não faz parte dos negócios da empresa, exceto empresas notadamente de tecnologia da informação. Este é um dos piores argumentos a favor da terceirização, visto que a informação, seja do negócio em si, seja do mercado de atuação, é o bem mais precioso que se pode ter. Duvido que Sun Tzu terceirizasse sua área de informação e corresse o risco de não ter domínio total sobre ela, afinal, como um dos pontos básicos de sua teoria militar:

“Conheça seu inimigo, conheça a si próprio, e sua vitória não estará ameaçada. Conheça o terreno, conheça as condições do tempo, e sua vitória será completa.”

Não podemos considerar que os dados e modelos de ERP, CRM, BI, sistemas fiscais, correio eletrônico e outros serviços não sejam parte integrante do negócio.

Sendo assim, podemos concluir que a área de informática é parte integrante, de forma sistêmica e orgânica, de qualquer corporação, pelo simples fato de que a informação e seus mecanismos de controle, armazenamento e produção serem estratégicos para qualquer negócio de qualquer natureza.

É por este aspecto que as atividades rotineiras, o chamado ongoing, não devam ser terceirizadas, além do que é mais caro. A única vantagem da terceirização do ongoing é para o gerente ou diretor que tem medo, vergonha ou receio de passar a imagem de ditador ao ter que demitir, trocar ou mesmo apenas passar um sermão em um funcionário, deixando isto a cargo de seu fornecedor, definindo o papel de mocinho para o diretor e de bandido para o fornecedor. Excepcionalmente pode ser vantajosa a terceirização da área de atendimento interno, o helpdesk, por ser área de alta rotatividade de pessoas e não envolver diretamente acesso às informações da empresa; mas devo ressaltar que deve ser feito com altíssimo controle dos níveis de serviços e segurança, evitando, por exemplo, possibilidades de acesso a máquinas que contenham ou possam acessar informações estratégicas.

Quando for realmente necessário o outsourcing de atividades rotineiras, o contrato deve ser baseado em acordos de níveis de serviço e segurança, ou seja, deve ser contrato de prestação de serviços e não de fornecimento de recursos humanos ou talentos, como preferem alguns. O body shop ou, como eu prefiro chamar, açougue (comércio de carne), deve ser descartado das atividades rotineiras, pois não elimina nenhum risco de processo trabalhista e é mais caro, a menos que o fornecedor pague muito abaixo do mercado, o que provocará rotatividade e insatisfações, ou utilize meios não convencionais de remuneração de trabalhadores. É mais caro porque, na melhor das hipóteses, se o fornecedor for uma entidade filantrópica, incidirão impostos de prestação de serviços sobre os custos de um funcionário.

A relação entre cliente e fornecedor de serviços é de confiança e baseada no fato de o fornecedor ser o detentor da tecnologia e conhecimento necessários para desenvolver o trabalho de forma satisfatória, agregando valor real, evitando uma relação prostituída e promíscua, como acontece nas relações com fornecedores de recursos, já que o único objetivo é redução de custos não existem parceria nem comprometimento, ocorrendo freqüentes trocas de fornecedores a cada mudança de gerência. É fato que muitas destas mudanças de fornecedores quando da mudança de gerência nem sempre tem motivações de custo para a empresa, mas isto não é assunto para este texto.

Podemos dizer, como regra geral, que o outsourcing só deve ser solução se for baseado em acordos de níveis de serviços e segurança, para atividades que não sejam relacionadas diretamente ao conteúdo das bases de informação e conhecimento. A terceirização deve ser feita para o caso de projetos, onde o conhecimento técnico é caro para ser mantido pela organização e este conhecimento é relacionado ao modo de tratamento da informação e não à informação em si.

Para finalizar podemos dizer que o modelo baseado em body shop é parasitário enquanto que a consultoria e serviços baseados em acordos de níveis de serviço e segurança é simbiótico.

Alexandre Guimarães

18/08/2006

A discussão sobre a legalidade do aborto voltou à tona com a eleição presidencial, principalmente para aqueles que querem que o Serra seja eleito, embora ele seja a favor do aborto. Mas, não é meu objetivo discutir o que acha cada um dos candidatos, nem se é legal ou não, pelo menos neste momento. O interessante é determinar quando aborto é assassinato.

Para variar, as discussões que envolvem aspectos religiosos nunca chegam a lugar nenhum, são dogmáticas, portanto, não tem lógica alguma. Para entender o aborto, é preciso definir o que é aborto e em que situação isto se constitui crime de assassinato. Entender o aborto é simples, é a interrupção, intencional ou não, de uma gestação. Até aí, nenhum problema. É o mesmo que quebrar um ovo para fazer omelete, então, omelete é fruto de um aborto, afinal, aquela gema seria um pintinho.

Se é tão simples, por que esta polêmica toda? Ora, a polêmica reside no fato de se definir quando a gestação é vida, pois, se há vida, sua extinção é assassinato e, por conseguinte, crime. A vida surge exatamente no momento da fecundação? Ou, como defendem alguns, a vida aparece quando o feto tem o formato humano, cerca de três meses? Ou, outra linha, quando a criança nasce e recebe o sopro da vida, já que só passa a respirar o ar neste momento? Isto leva a outra pergunta, o DNA pode ser considerado vida em potencial?

O DNA é único para cada um de nós, portanto, uma única célula embrionária contém um único indivíduo em potencial. Assim, se houver inutilização deste código genético, o sujeito que nasceria com ele nunca mais vai aparecer. Mas isto é vida? Vamos admitir, por hipótese, que o ser humano seja composto de corpo e alma, somente com alma pode fazer diferença nesta situação, pois, se não houver alma, o DNA contido na única célula é uma vida completa. Neste caso, o aborto é crime, pois a vida começaria na fecundação. Resumindo, para aborto poder não ser considerado crime, tem que haver alma, é uma restrição básica. (Simplificação para o caso de clones e gêmeos – tratado ao final)

Continuando, imagina-se que vida humana é composta de corpo e alma, ou espírito. Será que o espírito se “cola” no corpo na fecundação ou no nascimento, durante o “sopro”? A meu ver, não faz sentido a versão intermediária, quando o ser humano passa a existir aos três meses de gestação, a menos que se prove que a parte “etérea” do humano se “cola” neste período, mas o que pode ser comparado com a alma se “colando” ao final, no nascimento. Por simplicidade, reducionismo mesmo, vamos ao problema: a alma surge ou se cola na fecundação ou no sopro? Isto se desdobra em outra pergunta: a alma existe antes do corpo ou se forma com a determinação do DNA, como se o DNA estivesse imerso num universo mais amplo que o que vemos? Esta resposta não é científica, afinal, estamos diante de crenças, ou acredita-se na eternidade da alma ou a alma vai para o saco junto com o corpo. Por incrível que pareça, a visão cética, de que a alma e corpo começam e terminam juntas, leva a conclusão de que aborto é crime, ou seja, para os céticos o aborto deve ser considerado crime.

Já para aqueles que acreditam em almas como seres quase separados dos corpos, podemos admitir que a alma só “colará” ao corpo no momento do nascimento, já que antes disto não faz sentido uma alma se colar, pois o ser ainda não respira, não é pleno. Mas isto é discutível, claro. Mas, se a alma só aparece no momento do nascimento, antes disto não temos um ser humano pleno, temos um animal. Neste caso, o aborto é uma omelete. Então, para os defensores de vidas além da morte (antes e depois), o aborto não afeta a alma, então não é assassinato, portanto não é crime.

Situação complicada, o cético tem que dizer: aquele embrião é único, devemos salvá-lo. O crente deve dizer: neste embrião não há nada, ainda, os desígnios divinos poderão trazer esta alma a este mundo em outro momento, já que os pais não têm condições de cuidar dele agora. Será melhor para esta alma vir em outro momento. Complicou!

O caso dos gêmeos idênticos pode colocar água nesta fogueira, pois se o código genético é o mesmo, sabe-se, também, que os dois indivíduos são distintos, ou seja, tem que haver mais coisas para diferenciar um do outro, no caso, lançamos mão da alma. Assim, cai no último caso, a alma existe independente do DNA. Então, a menos que tenha como provar que o espírito se liga ao embrião antes do nascimento, aborto não é assassinato, não tem um ser humano completo.

Qualquer solução diferente desta é baseada em religião ou princípios morais, portanto, deve ser tratada no âmbito privado. Se a lei permitir o aborto, mas o sujeito acredita que isto não é correto, então que não pratique, mas não interfira no direito de crença do outro. Não podemos levar a fé para as leis, se não corremos o sério risco de transformar o país numa república fundamentalista, com leis sem pé nem cabeça, chicoteando adúlteras em praças públicas e cortando as mãos de ladrões de galinhas.

Eu, particularmente, resolvo este problema de outra forma. Respeito incondicional a qualquer tipo de vida, matar só para comer. Além disto, arcar com as responsabilidades por cada ato, pelo princípio da causalidade: se eu transei, gerou vida (ainda que parcial) e eu não vou comer (se não viola a regra número 1) então tenho que defender. Assim, do meu ponto de vista, se alguém quer abortar, que seja para comer (não estou falando de casos de risco de morte da mãe). Desta forma, na minha vida e onde eu puder interferir sem violar os direitos privados, sou contra o aborto.

Num dia desses, eu estava conversando fiado, para variar, e surgiu o assunto sobre a parábola do rico, muito utilizada pelas igrejas cristãs. Mas, o que realmente significa o conceito de rico nestas parábolas? Será que é o que a maioria das pessoas quer acreditar, para alimentar aquele sentimento humano desprezível que é a inveja? Ou, para justificar nossos fracassos ao ver alguém bem sucedido, dizemos que ele é rico porque é corrupto ou não é bondoso e vai arder no inferno? Nada disto!

O problema de interpretações equivocadas de textos e estórias escritas em outras línguas por pessoas com culturas completamente diferentes da nossa, leva-nos a deturpar o sentido original para satisfazer nossos mais mesquinhos interesses. Quando analisamos estas estórias sob a ótica da cultura de quem escreveu, neste caso o povo judeu, tentando nos aproximar do processo cognitivo original, percebemos que a palavra rico tem outro significado.

O sujeito rico, por este novo ponto de vista, é aquele que dá mais valor às coisas materiais e não aquele que tem mais coisas materiais. Um sujeito que tenha muitos bens materiais, mas também se importa com outros aspectos da existência humana, não é considerado rico. Por outro lado, aquele sujeito miserável, faminto, mas que considera apenas os aspectos materiais, que está de olho no que o outro tem, e está pouco se importando com questões sociais, culturais e metafísicas, é um sujeito rico. Mais rico ainda é aquele sujeito que inveja as posses materiais dos outros, especialmente os bem sucedidos. Sob este aspecto, a maioria das pessoas pode ser considerada rica.

Portanto, quando for ler textos de origem judaica, ou semítica em geral, interprete a palavra rico com seu real sentido, que você perceberá que são textos muito mais profundos e interessantes do que simplesmente condenar um sujeito porque ele tem dinheiro. E esta experiência vale para muitas outras palavras, podendo dar um novo e muito mais amplo sentindo a tudo o que você já aprendeu. Apenas para complementar, lembro que a língua falada pelos judeus daquela época era o aramaico que não tem absolutamente nada a ver com latim ou grego, são ramos totalmente distintos, representando culturais extremamente diferentes. Até a escrita é invertida, escreve-se da direita para a esquerda. Assim, quem ler estes livros sob a ótica da cultura romana estará cometendo muitos equívocos. Aos poucos falaremos destes outros equívocos, como é o casa da palavra “mestre”.

Com o recente anúncio de lançar seu próprio sistema operacional, a Google vai colocar lenha na fogueira da guerra entre os sistemas livres e os proprietários, especialmente pelo fato de o Chrome OS ser baseado em Linux. Além disto, a Google proibiu o uso de Windows na empresa. Mas o que podemos esperar desta guerra? Será que o usuário sairá ganhando, como é o que se alardeia quando existe concorrência? O que os fabricantes de hardware farão?

É de conhecimento púbico que o Linux é um sistema operacional bem mais robusto e com desempenho muito superior ao Windows, especialmente no item redes; basta verificar qual o sistema operacional roda nos grandes supercomputadores. Mas esta superioridade não é suficiente para garantir o mercado. Um dos motivos disto é o fato de os computadores já saírem de fábrica com Windows, mesmo que com um custo um pouco mais alto, mas com margem de lucro melhor. Mas existem vários motivos que impedem a proliferação dos softwares livres.

A Microsoft estimula a pirataria quando permite, para não dizer que incentiva, os usuários instalarem o Windows em computadores domésticos, mas com aquele gostinho do pecado. Com isto ela cria a zona de conforto dos usuários, que levam estes produtos para dentro das empresas. E o caminho inverso também ocorre, quando o usuário instala em casa o que usa no trabalho, numa realimentação da cadeia. Esse ciclo cria uma nuvem de completo domínio da Microsoft.

Além disto, existe a parceria submissa e prostituída dos fabricantes de computadores pessoais. Essa parceria é prostituída porque os próprios fabricantes aceitam promover a pirataria que a própria Microsoft quer, vendendo desktops e notebooks com Linux. Pode parecer contraditório, mas estes fabricantes vendem com Linux para permitir que os usuários domésticos instalem Windows pirata, diminuindo o custo de venda do equipamento. Isto fica claro quando você adquire um notebook com Linux e descobre que não existe nenhuma recompilação adequada para o hardware específico; eles usam a versão padrão de uma distribuição qualquer sem ao menos adequar à configuração vendida, como aconteceu comigo. Ou seja, simplesmente empacotaram com Linux para um mercado que vai trocar por Windows, mesmo que não queira. Para completar, os fabricantes fornecem um dvd com os drivers para Windows, mas quando vendem com Windows não tem dvd com drivers para Linux. Na prática são agentes virais de distribuição do Windows e da manutenção do monopólio da Microsoft.

Mas isto pode mudar, pois, com o anúncio da Google do lançamento do Chrome OS, haverá um apelo comercial, diretamente relacionado à dinheiro. A Google é uma empresa de bilhões de dólares, e não um “bando de nerds”. Como a maioria dos empresários é submissa ao poderoso capital, poderá haver um trabalho sério em colocar o Chrome OS no mercado, pois existe apelo de marketing para os fabricantes de computadores; marketing parasitário, aquele que aproveita a onda com as campanhas da Google para empurrarem seus produtos. Mas, para isto, será necessário que estes fabricantes resolvam fazer a coisa direito, terão que deixar o Chrome OS perfeitamente adequado ao hardware, o que beneficiará o Linux, como consequência.

Com exceção dos usuários da Apple, que estão satisfeitos com seu Mac e não se importam com questões como software livre, todos presenciarão uma estranha guerra entre duas empresas imensas, capitalistas, mas que usarão armas muito diferentes: uma usará o capital que compra até conhecimento e a outra usará o conhecimento que capital não comprou, mas que fará crescer seu próprio capital. Se a Google estará fazendo caridade com chapéu alheio eu não sei, mas o mundo do software livre ganhou um aliado forte, que um dia poderá ser seu próprio carrasco.

O que dizer sobre o humano,
o superior na evolução do primata?
É um bicho muito estranho,
que o semelhante à toa mata
mas se comporta como rebanho.

Tem DNA de camaleão,
esconde o que quer e pensa
para enganar seu próprio irmão
e receber a migalha como recompensa.

Também parece uma hiena,
espera o mais forte a caça abater,
para em bando entrar em cena
e roubar por puro prazer.

Carrega o gene de lombriga,
adora revirar uma merda,
por nada perde uma boa briga,
e sua inteligência é muito lerda.

Quer parecer um leão,
mas não tem nada de predador.
É apenas uma vaca no rebanho
que tem Deus como feitor.

Mas a pior característica de todas
é a maldade gratuita que é praticada.
Muito esforço para se livrar disto precisa
porque a perversidade no DNA está codificada.

O ácido arde e corrói
muitas funções ele tem,
além do que ele destrói
a vida ele mantem.

Muitos chamam o ruim de ácido,
mas isto só alimenta a hipocrisia
que mantem o homem plácido
diante da falta de harmonia.

A vida precisa da acidez,
mas os falsos homens bondosos,
fingindo alto grau de sensatez,
são na verdade os grandes mentirosos,
querem impor ao mundo a rigidez.

Se da natureza entendessem,
estes homens prepotentes
saberiam que o ácido faz a vida,
está aí o DNA que não mente.

Enquanto se aprecia o alimento gostoso
está lá o ácido para a fome matar,
enquanto se cochila depois do almoço,
ele trabalha para energia aproveitar.

Para equilibrar a falsa doçura
daqueles que ignoram a dualidade,
o ácido corrói a doida loucura
e ameniza a dura realidade.

shjikliqUYdgTTvmlaoiwq
.k,:ajdksk*&#dsklop dhsuijui
mapatutenhambu fucageou
to co mioda jutichvsky gestern

Fome sede água carne
frio escuro medo calor
correr subir pescar comer
olhar perceber pensar viver

Ontem a desordem,
depois do nada eterno,
juntou-se no mar revolto
e viu-se que o caos era ordem.

Tudo para a desordem quer voltar,
mas a vida ordem colocou,
contra o caos ela muito lutou
e ela sabe se auto-organizar.

Tudo isto o homem pode perder
se achar que não é da natureza
que vem todo seu poder
para construir esta ordem e beleza.

É preciso o homem entender
que a vida é o balanço do mar,
entre a maré de caos e ordem
e perceber que isto não é linear.

A força da natureza é preciso temer,
além de gastar muita energia
para a vida poder viver
e vencer a tal lei da entropia.

Pintar a realidade não é para um qualquer,
tem que ter audácia e coragem
para mostrar o mundo como ele é,
sem se preocupar com a própria imagem.

Mostrar fantasias e sonhos bonitos
é coisa para a indústria cultural,
que engana os humildes e aflitos
e diz que só o demônio pratica o mal.

O que seria de Picasso e Chagall
se eles não pintassem o real?
O que dizer de Dalí e Goya,
se não retratassem a paranoia?

A liberdade dos devaneios
de pintar o mundo com letras,
desenhar nossos medos e receios
como se fossem telas pretas,
não pode ser censurada
e por nenhum hipócrita amarrada.

O teclado sujo vira pincel,
o monitor é o portal da mente,
a impressora rabisca o papel,
o sentimento é a primeira semente
e para o sonho o único limite é o céu.

Será que existe maldição
capaz de transformar nossas vidas
num violento e eterno furacão
que nos enche de ideias suicidas?

Por que quando uma coisa dá errado
outra pior acontece de imediato,
como se o diabo fosse sincronizado
com um relógio mais exato?

Todos dizem que fé tem que ter,
acreditar que tudo vai melhorar,
que tem gente pior que você,
mas será que isto serve para consolar?

Para que ter pensamento positivo,
imaginar um mundo melhor,
se a cada passo definitivo
fica tudo muito pior?

Por que se contentam com explicações
de quem tem preguiça de pensar,
colocando a culpa em assombrações
para o infortúnio poder justificar?

Para tudo isto só tem um argumento,
baseado na relação de causa e efeito,
a cada passo um movimento,
e até o erro tem que ser perfeito.

Já é de conhecimento popular
que para muitos amigos conquistar
basta na loteria ganhar
e muito dinheiro esbanjar.

Mas se amigos não quer mais ter
basta todo dinheiro você perder,
rapidinho eles irão lhe esquecer,
nem seus e-mails eles vão ler.

Chamam de excêntrico o rico,
quando fica pobre é arrogante.
Nunca mais “amigos” terá,
se não arrumar dinheiro o bastante.
Mas se quer dos parasitas se livrar,
ficar pobre é um jeito interessante.

Espero que valha a experiência
de rico a pobre voltar,
pode parecer incoerência
mas só os Amigos vão sobrar.

Espero a lição ter aprendido,
de em poucos poder confiar.
Mas depois de todo tempo perdido,
só os Amigos na minha casa vão entrar.

David se faz de pobre coitado,
além de pequeno e frágil.
Golias acha que ganhar é fácil,
mas termina derrotado e humilhado.

Todos conhecem esta breve história
que quer apenas demonstrar
que Deus dá a David a vitória
porque é seu amigo particular.

Mas a realidade é mais profunda,
David mente e faz uma luta suja,
usa um monte de pedras e sua funda,
não há a menor chance de que Golias fuja.

Até hoje esta história querem contar.
David se faz de pobre coitado e vítima,
mas esconde sua arma nuclear
e diz que só sua terra é legítima,
mas o que gosta mesmo é de guerrear.

Os que se dizem amigos e os inimigos,
quando assistem nossa depressão,
não nos livram dos perigos
preferem sempre ter razão.

O desejo de estar correto
é maior que o de ver feliz
o sujeito deprimido e inquieto,
só porque não fez o que outro quis.

O hipócrita chega perto
fingindo querer ajudar,
mas só quer estar certo
para seu ego poder alimentar.

Faça o que eu digo,
não faça o que eu faço.
Diz o pretenso amigo
durante o longo e falso abraço.

Que prazer será que sente
ao ver o outro sofrer
e falar todo feliz e sorridente:
bem que eu tentei te dizer?
Finge praticar altruísmo e caridade
mas só quer demonstrar seu poder.

Quando estamos bem lá no fundo,
achando que a mão nos irá esticar,
ele sente prazer em dizer ao mundo:
ele preferiu não me escutar!
Mas seria mais humano em dizer:
eu quero ver você morrer!

Nunca vou entender este primata
que numa coisa pensa e outra berra,
que nem só para comer ele mata,
e adora ver quando o outro erra.

Pela liberdade há muito eu luto,
mesmo com a morte sempre à espreita,
essa conselheira que eu nem sempre escuto.
Não consigo esperar pela colheita
daquilo que do meu trabalho é fruto.

Minhas asas já cortaram,
mas eu sou muito teimoso,
quero de gaiola em gaiola voar,
por isto estou muito nervoso,
pois tudo isto é capaz de me irritar.

Prometo não mais me intrometer
nos problemas que não são meus,
só peço para minhas asas devolver.
Você, que acha que se passa por deus,
poderá de todos continuar a se esconder.

O que eu colher da árvore da vida
não contarei a mais ninguém,
só quero minha asa perdida
para poder voar para muito além
de qualquer terra prometida.

Se tenho que arcar com a responsabilidade
por todas as ações que eu praticar,
não me deve ser imposta nenhuma penalidade
além dos tombos que eu mesmo levar
durante os voos em busca da minha liberdade.

Político trata a corrupção
Polícia dá segurança
Puta garante tesão
Palhaço alegra a criança
Pastor promete a salvação
Padre pede esperança
Prefeito cuida do cidadão
Presidente estimula confiança
Psicólogo cura a imaginação.
Peço que com eles não faça aliança,
Pois são vendedores de ilusão!

O mundo moderno é mais ágil,
tudo é mais simples de ter,
mas quem se dá mal é o frágil
que não tem para onde correr.

As almas de hoje têm menos valor,
compra-se apenas com o pó,
o que antes um sacerdote sem pudor
comprava com oração, misericórdia e dó.

Hoje todos condenam o traficante,
mas enaltecem o santo pastor
que não vende nada importante
mas, mesmo assim, cobra alto valor.

Que diferença existe entre ilusão e céu,
um vendido pelo padre safado
e outro pelo dono do bordel?
Nenhuma, apenas o preço cobrado,
que é um corpo pelo padre tarado,
e um real pelo cigarro de baseado.

Isto tudo parece uma louca mistura,
mas sexo, drogas e religião
são a realidade crua e dura
de uma humanidade rumo à podridão.

Enquanto só prenderem traficante e puta,
largando solto o maior charlatão,
que diz que em nome de um deus labuta,
a humanidade não terá salvação.

Todo mundo quer ser grande.
Expandir e desenvolver a cidade,
mesmo que muita gente se sacrifique bastante
e tudo passe a depender da autoridade.

O grande esquece o indivíduo,
que passa ser massa de manobra
consumindo a necessidade que não precisa
por isto não tem mais tempo de sobra.

No grande o eu some
para dar lugar a ameba gigante,
ninguém me trata pelo nome,
mas do meu trabalho querem bastante.

O mundo feliz pertence ao pequeno.
Mas que homem tem coragem
de andar por estes caminhos
sem a necessidade de carregar bagagem.

Se desmancha o sonho global
de fazer um mundo todo igual,
para dar lugar e vida ao homem diferente
que não se preocupa com o que pensa
a maioria amorfa dessa gente.

Nosso futuro pertence ao mundo pequeno,
ao pequeno comércio e produtor.
Nada de dormir e acordar devendo,
nem de viver do dinheiro do especulador.

Silencioso pacto de interesse sem hipocrisia,
este é o objetivo de uma união
que tem o repeito mútuo como guia
e a felicidade do outro como razão.

No início é tudo flores.
Com a sociedade vêm as dores
de uma satisfação sem lógica
para os outros seres de um mundo hipócrita.

Quando se percebe que o tempo é cruel,
que o dinheiro é a única linguagem
e que o amigo nem sempre é fiel,
do fundo do baú se resgata a coragem
para enxergar no companheiro
o motivo eterno e verdadeiro.

Quando apenas com os olhos dá para conversar
é sinal de que o mundo diminuiu
e que tudo que já se sentiu
é possível em amor se transformar.

Mas a dura realidade sempre aparece,
a ponto de quase nos fazer desanimar.
Mas os hipócritas de nós nada merece,
apenas pelo outro vale a pena lutar.

Minha insensatez me faz parecer um garoto,
mas, sou rabugento, pareço um velho.
De tanto lamuriar neste esgoto,
ninguém mais escuta meu berro.

Ainda sonho como criança,
querendo ir para a roça criar e plantar.
Preciso alimentar esta esperança
para não deixar a morte me alcançar.
Ainda preciso da liberdade
para de gaiola em gaiola voar.
Não posso deixar a tristeza me dominar.

Por onde passo, não quero viver.
Sempre erro na escolha de qual caminho seguir
ou será que eu não sei caminhar?
Talvez eu devesse aprender
que viver não significa decidir,
basta deixar a vida me levar.

Mas para onde esta vida me conduz?
A dúvida vira medo
de no fim deste túnel não ter luz.
Por isto não posso mais cometer o erro
de querer consertar o mundo.
Por mais que eu brigue e lute
acabo sempre mais no fundo.

Mas desta vez tem que ser diferente,
pois já não mais aguento
ouvir tanta gente
me chamando de rabugento.
Por isto estou em busca da solidão,
conversar apenas com os olhos
sem me preocupar se está certo ou não.

Depois de tanto pensar e refletir,
já que de onde estou eu sempre preciso sair,
nada me resta a não ser concluir
que uma nova mãe precisa me parir.

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