Alexandre

A discussão sobre a legalidade do aborto voltou à tona com a eleição presidencial, principalmente para aqueles que querem que o Serra seja eleito, embora ele seja a favor do aborto. Mas, não é meu objetivo discutir o que acha cada um dos candidatos, nem se é legal ou não, pelo menos neste momento. O interessante é determinar quando aborto é assassinato.

Para variar, as discussões que envolvem aspectos religiosos nunca chegam a lugar nenhum, são dogmáticas, portanto, não tem lógica alguma. Para entender o aborto, é preciso definir o que é aborto e em que situação isto se constitui crime de assassinato. Entender o aborto é simples, é a interrupção, intencional ou não, de uma gestação. Até aí, nenhum problema. É o mesmo que quebrar um ovo para fazer omelete, então, omelete é fruto de um aborto, afinal, aquela gema seria um pintinho.

Se é tão simples, por que esta polêmica toda? Ora, a polêmica reside no fato de se definir quando a gestação é vida, pois, se há vida, sua extinção é assassinato e, por conseguinte, crime. A vida surge exatamente no momento da fecundação? Ou, como defendem alguns, a vida aparece quando o feto tem o formato humano, cerca de três meses? Ou, outra linha, quando a criança nasce e recebe o sopro da vida, já que só passa a respirar o ar neste momento? Isto leva a outra pergunta, o DNA pode ser considerado vida em potencial?

O DNA é único para cada um de nós, portanto, uma única célula embrionária contém um único indivíduo em potencial. Assim, se houver inutilização deste código genético, o sujeito que nasceria com ele nunca mais vai aparecer. Mas isto é vida? Vamos admitir, por hipótese, que o ser humano seja composto de corpo e alma, somente com alma pode fazer diferença nesta situação, pois, se não houver alma, o DNA contido na única célula é uma vida completa. Neste caso, o aborto é crime, pois a vida começaria na fecundação. Resumindo, para aborto poder não ser considerado crime, tem que haver alma, é uma restrição básica. (Simplificação para o caso de clones e gêmeos – tratado ao final)

Continuando, imagina-se que vida humana é composta de corpo e alma, ou espírito. Será que o espírito se “cola” no corpo na fecundação ou no nascimento, durante o “sopro”? A meu ver, não faz sentido a versão intermediária, quando o ser humano passa a existir aos três meses de gestação, a menos que se prove que a parte “etérea” do humano se “cola” neste período, mas o que pode ser comparado com a alma se “colando” ao final, no nascimento. Por simplicidade, reducionismo mesmo, vamos ao problema: a alma surge ou se cola na fecundação ou no sopro? Isto se desdobra em outra pergunta: a alma existe antes do corpo ou se forma com a determinação do DNA, como se o DNA estivesse imerso num universo mais amplo que o que vemos? Esta resposta não é científica, afinal, estamos diante de crenças, ou acredita-se na eternidade da alma ou a alma vai para o saco junto com o corpo. Por incrível que pareça, a visão cética, de que a alma e corpo começam e terminam juntas, leva a conclusão de que aborto é crime, ou seja, para os céticos o aborto deve ser considerado crime.

Já para aqueles que acreditam em almas como seres quase separados dos corpos, podemos admitir que a alma só “colará” ao corpo no momento do nascimento, já que antes disto não faz sentido uma alma se colar, pois o ser ainda não respira, não é pleno. Mas isto é discutível, claro. Mas, se a alma só aparece no momento do nascimento, antes disto não temos um ser humano pleno, temos um animal. Neste caso, o aborto é uma omelete. Então, para os defensores de vidas além da morte (antes e depois), o aborto não afeta a alma, então não é assassinato, portanto não é crime.

Situação complicada, o cético tem que dizer: aquele embrião é único, devemos salvá-lo. O crente deve dizer: neste embrião não há nada, ainda, os desígnios divinos poderão trazer esta alma a este mundo em outro momento, já que os pais não têm condições de cuidar dele agora. Será melhor para esta alma vir em outro momento. Complicou!

O caso dos gêmeos idênticos pode colocar água nesta fogueira, pois se o código genético é o mesmo, sabe-se, também, que os dois indivíduos são distintos, ou seja, tem que haver mais coisas para diferenciar um do outro, no caso, lançamos mão da alma. Assim, cai no último caso, a alma existe independente do DNA. Então, a menos que tenha como provar que o espírito se liga ao embrião antes do nascimento, aborto não é assassinato, não tem um ser humano completo.

Qualquer solução diferente desta é baseada em religião ou princípios morais, portanto, deve ser tratada no âmbito privado. Se a lei permitir o aborto, mas o sujeito acredita que isto não é correto, então que não pratique, mas não interfira no direito de crença do outro. Não podemos levar a fé para as leis, se não corremos o sério risco de transformar o país numa república fundamentalista, com leis sem pé nem cabeça, chicoteando adúlteras em praças públicas e cortando as mãos de ladrões de galinhas.

Eu, particularmente, resolvo este problema de outra forma. Respeito incondicional a qualquer tipo de vida, matar só para comer. Além disto, arcar com as responsabilidades por cada ato, pelo princípio da causalidade: se eu transei, gerou vida (ainda que parcial) e eu não vou comer (se não viola a regra número 1) então tenho que defender. Assim, do meu ponto de vista, se alguém quer abortar, que seja para comer (não estou falando de casos de risco de morte da mãe). Desta forma, na minha vida e onde eu puder interferir sem violar os direitos privados, sou contra o aborto.

Num dia desses, eu estava conversando fiado, para variar, e surgiu o assunto sobre a parábola do rico, muito utilizada pelas igrejas cristãs. Mas, o que realmente significa o conceito de rico nestas parábolas? Será que é o que a maioria das pessoas quer acreditar, para alimentar aquele sentimento humano desprezível que é a inveja? Ou, para justificar nossos fracassos ao ver alguém bem sucedido, dizemos que ele é rico porque é corrupto ou não é bondoso e vai arder no inferno? Nada disto!

O problema de interpretações equivocadas de textos e estórias escritas em outras línguas por pessoas com culturas completamente diferentes da nossa, leva-nos a deturpar o sentido original para satisfazer nossos mais mesquinhos interesses. Quando analisamos estas estórias sob a ótica da cultura de quem escreveu, neste caso o povo judeu, tentando nos aproximar do processo cognitivo original, percebemos que a palavra rico tem outro significado.

O sujeito rico, por este novo ponto de vista, é aquele que dá mais valor às coisas materiais e não aquele que tem mais coisas materiais. Um sujeito que tenha muitos bens materiais, mas também se importa com outros aspectos da existência humana, não é considerado rico. Por outro lado, aquele sujeito miserável, faminto, mas que considera apenas os aspectos materiais, que está de olho no que o outro tem, e está pouco se importando com questões sociais, culturais e metafísicas, é um sujeito rico. Mais rico ainda é aquele sujeito que inveja as posses materiais dos outros, especialmente os bem sucedidos. Sob este aspecto, a maioria das pessoas pode ser considerada rica.

Portanto, quando for ler textos de origem judaica, ou semítica em geral, interprete a palavra rico com seu real sentido, que você perceberá que são textos muito mais profundos e interessantes do que simplesmente condenar um sujeito porque ele tem dinheiro. E esta experiência vale para muitas outras palavras, podendo dar um novo e muito mais amplo sentindo a tudo o que você já aprendeu. Apenas para complementar, lembro que a língua falada pelos judeus daquela época era o aramaico que não tem absolutamente nada a ver com latim ou grego, são ramos totalmente distintos, representando culturais extremamente diferentes. Até a escrita é invertida, escreve-se da direita para a esquerda. Assim, quem ler estes livros sob a ótica da cultura romana estará cometendo muitos equívocos. Aos poucos falaremos destes outros equívocos, como é o casa da palavra “mestre”.

Com o recente anúncio de lançar seu próprio sistema operacional, a Google vai colocar lenha na fogueira da guerra entre os sistemas livres e os proprietários, especialmente pelo fato de o Chrome OS ser baseado em Linux. Além disto, a Google proibiu o uso de Windows na empresa. Mas o que podemos esperar desta guerra? Será que o usuário sairá ganhando, como é o que se alardeia quando existe concorrência? O que os fabricantes de hardware farão?

É de conhecimento púbico que o Linux é um sistema operacional bem mais robusto e com desempenho muito superior ao Windows, especialmente no item redes; basta verificar qual o sistema operacional roda nos grandes supercomputadores. Mas esta superioridade não é suficiente para garantir o mercado. Um dos motivos disto é o fato de os computadores já saírem de fábrica com Windows, mesmo que com um custo um pouco mais alto, mas com margem de lucro melhor. Mas existem vários motivos que impedem a proliferação dos softwares livres.

A Microsoft estimula a pirataria quando permite, para não dizer que incentiva, os usuários instalarem o Windows em computadores domésticos, mas com aquele gostinho do pecado. Com isto ela cria a zona de conforto dos usuários, que levam estes produtos para dentro das empresas. E o caminho inverso também ocorre, quando o usuário instala em casa o que usa no trabalho, numa realimentação da cadeia. Esse ciclo cria uma nuvem de completo domínio da Microsoft.

Além disto, existe a parceria submissa e prostituída dos fabricantes de computadores pessoais. Essa parceria é prostituída porque os próprios fabricantes aceitam promover a pirataria que a própria Microsoft quer, vendendo desktops e notebooks com Linux. Pode parecer contraditório, mas estes fabricantes vendem com Linux para permitir que os usuários domésticos instalem Windows pirata, diminuindo o custo de venda do equipamento. Isto fica claro quando você adquire um notebook com Linux e descobre que não existe nenhuma recompilação adequada para o hardware específico; eles usam a versão padrão de uma distribuição qualquer sem ao menos adequar à configuração vendida, como aconteceu comigo. Ou seja, simplesmente empacotaram com Linux para um mercado que vai trocar por Windows, mesmo que não queira. Para completar, os fabricantes fornecem um dvd com os drivers para Windows, mas quando vendem com Windows não tem dvd com drivers para Linux. Na prática são agentes virais de distribuição do Windows e da manutenção do monopólio da Microsoft.

Mas isto pode mudar, pois, com o anúncio da Google do lançamento do Chrome OS, haverá um apelo comercial, diretamente relacionado à dinheiro. A Google é uma empresa de bilhões de dólares, e não um “bando de nerds”. Como a maioria dos empresários é submissa ao poderoso capital, poderá haver um trabalho sério em colocar o Chrome OS no mercado, pois existe apelo de marketing para os fabricantes de computadores; marketing parasitário, aquele que aproveita a onda com as campanhas da Google para empurrarem seus produtos. Mas, para isto, será necessário que estes fabricantes resolvam fazer a coisa direito, terão que deixar o Chrome OS perfeitamente adequado ao hardware, o que beneficiará o Linux, como consequência.

Com exceção dos usuários da Apple, que estão satisfeitos com seu Mac e não se importam com questões como software livre, todos presenciarão uma estranha guerra entre duas empresas imensas, capitalistas, mas que usarão armas muito diferentes: uma usará o capital que compra até conhecimento e a outra usará o conhecimento que capital não comprou, mas que fará crescer seu próprio capital. Se a Google estará fazendo caridade com chapéu alheio eu não sei, mas o mundo do software livre ganhou um aliado forte, que um dia poderá ser seu próprio carrasco.

O que dizer sobre o humano,
o superior na evolução do primata?
É um bicho muito estranho,
que o semelhante à toa mata
mas se comporta como rebanho.

Tem DNA de camaleão,
esconde o que quer e pensa
para enganar seu próprio irmão
e receber a migalha como recompensa.

Também parece uma hiena,
espera o mais forte a caça abater,
para em bando entrar em cena
e roubar por puro prazer.

Carrega o gene de lombriga,
adora revirar uma merda,
por nada perde uma boa briga,
e sua inteligência é muito lerda.

Quer parecer um leão,
mas não tem nada de predador.
É apenas uma vaca no rebanho
que tem Deus como feitor.

Mas a pior característica de todas
é a maldade gratuita que é praticada.
Muito esforço para se livrar disto precisa
porque a perversidade no DNA está codificada.

O ácido arde e corrói
muitas funções ele tem,
além do que ele destrói
a vida ele mantem.

Muitos chamam o ruim de ácido,
mas isto só alimenta a hipocrisia
que mantem o homem plácido
diante da falta de harmonia.

A vida precisa da acidez,
mas os falsos homens bondosos,
fingindo alto grau de sensatez,
são na verdade os grandes mentirosos,
querem impor ao mundo a rigidez.

Se da natureza entendessem,
estes homens prepotentes
saberiam que o ácido faz a vida,
está aí o DNA que não mente.

Enquanto se aprecia o alimento gostoso
está lá o ácido para a fome matar,
enquanto se cochila depois do almoço,
ele trabalha para energia aproveitar.

Para equilibrar a falsa doçura
daqueles que ignoram a dualidade,
o ácido corrói a doida loucura
e ameniza a dura realidade.

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.k,:ajdksk*&#dsklop dhsuijui
mapatutenhambu fucageou
to co mioda jutichvsky gestern

Fome sede água carne
frio escuro medo calor
correr subir pescar comer
olhar perceber pensar viver

Ontem a desordem,
depois do nada eterno,
juntou-se no mar revolto
e viu-se que o caos era ordem.

Tudo para a desordem quer voltar,
mas a vida ordem colocou,
contra o caos ela muito lutou
e ela sabe se auto-organizar.

Tudo isto o homem pode perder
se achar que não é da natureza
que vem todo seu poder
para construir esta ordem e beleza.

É preciso o homem entender
que a vida é o balanço do mar,
entre a maré de caos e ordem
e perceber que isto não é linear.

A força da natureza é preciso temer,
além de gastar muita energia
para a vida poder viver
e vencer a tal lei da entropia.

Pintar a realidade não é para um qualquer,
tem que ter audácia e coragem
para mostrar o mundo como ele é,
sem se preocupar com a própria imagem.

Mostrar fantasias e sonhos bonitos
é coisa para a indústria cultural,
que engana os humildes e aflitos
e diz que só o demônio pratica o mal.

O que seria de Picasso e Chagall
se eles não pintassem o real?
O que dizer de Dalí e Goya,
se não retratassem a paranoia?

A liberdade dos devaneios
de pintar o mundo com letras,
desenhar nossos medos e receios
como se fossem telas pretas,
não pode ser censurada
e por nenhum hipócrita amarrada.

O teclado sujo vira pincel,
o monitor é o portal da mente,
a impressora rabisca o papel,
o sentimento é a primeira semente
e para o sonho o único limite é o céu.

Será que existe maldição
capaz de transformar nossas vidas
num violento e eterno furacão
que nos enche de ideias suicidas?

Por que quando uma coisa dá errado
outra pior acontece de imediato,
como se o diabo fosse sincronizado
com um relógio mais exato?

Todos dizem que fé tem que ter,
acreditar que tudo vai melhorar,
que tem gente pior que você,
mas será que isto serve para consolar?

Para que ter pensamento positivo,
imaginar um mundo melhor,
se a cada passo definitivo
fica tudo muito pior?

Por que se contentam com explicações
de quem tem preguiça de pensar,
colocando a culpa em assombrações
para o infortúnio poder justificar?

Para tudo isto só tem um argumento,
baseado na relação de causa e efeito,
a cada passo um movimento,
e até o erro tem que ser perfeito.

Já é de conhecimento popular
que para muitos amigos conquistar
basta na loteria ganhar
e muito dinheiro esbanjar.

Mas se amigos não quer mais ter
basta todo dinheiro você perder,
rapidinho eles irão lhe esquecer,
nem seus e-mails eles vão ler.

Chamam de excêntrico o rico,
quando fica pobre é arrogante.
Nunca mais “amigos” terá,
se não arrumar dinheiro o bastante.
Mas se quer dos parasitas se livrar,
ficar pobre é um jeito interessante.

Espero que valha a experiência
de rico a pobre voltar,
pode parecer incoerência
mas só os Amigos vão sobrar.

Espero a lição ter aprendido,
de em poucos poder confiar.
Mas depois de todo tempo perdido,
só os Amigos na minha casa vão entrar.

David se faz de pobre coitado,
além de pequeno e frágil.
Golias acha que ganhar é fácil,
mas termina derrotado e humilhado.

Todos conhecem esta breve história
que quer apenas demonstrar
que Deus dá a David a vitória
porque é seu amigo particular.

Mas a realidade é mais profunda,
David mente e faz uma luta suja,
usa um monte de pedras e sua funda,
não há a menor chance de que Golias fuja.

Até hoje esta história querem contar.
David se faz de pobre coitado e vítima,
mas esconde sua arma nuclear
e diz que só sua terra é legítima,
mas o que gosta mesmo é de guerrear.

Os que se dizem amigos e os inimigos,
quando assistem nossa depressão,
não nos livram dos perigos
preferem sempre ter razão.

O desejo de estar correto
é maior que o de ver feliz
o sujeito deprimido e inquieto,
só porque não fez o que outro quis.

O hipócrita chega perto
fingindo querer ajudar,
mas só quer estar certo
para seu ego poder alimentar.

Faça o que eu digo,
não faça o que eu faço.
Diz o pretenso amigo
durante o longo e falso abraço.

Que prazer será que sente
ao ver o outro sofrer
e falar todo feliz e sorridente:
bem que eu tentei te dizer?
Finge praticar altruísmo e caridade
mas só quer demonstrar seu poder.

Quando estamos bem lá no fundo,
achando que a mão nos irá esticar,
ele sente prazer em dizer ao mundo:
ele preferiu não me escutar!
Mas seria mais humano em dizer:
eu quero ver você morrer!

Nunca vou entender este primata
que numa coisa pensa e outra berra,
que nem só para comer ele mata,
e adora ver quando o outro erra.

Pela liberdade há muito eu luto,
mesmo com a morte sempre à espreita,
essa conselheira que eu nem sempre escuto.
Não consigo esperar pela colheita
daquilo que do meu trabalho é fruto.

Minhas asas já cortaram,
mas eu sou muito teimoso,
quero de gaiola em gaiola voar,
por isto estou muito nervoso,
pois tudo isto é capaz de me irritar.

Prometo não mais me intrometer
nos problemas que não são meus,
só peço para minhas asas devolver.
Você, que acha que se passa por deus,
poderá de todos continuar a se esconder.

O que eu colher da árvore da vida
não contarei a mais ninguém,
só quero minha asa perdida
para poder voar para muito além
de qualquer terra prometida.

Se tenho que arcar com a responsabilidade
por todas as ações que eu praticar,
não me deve ser imposta nenhuma penalidade
além dos tombos que eu mesmo levar
durante os voos em busca da minha liberdade.

Político trata a corrupção
Polícia dá segurança
Puta garante tesão
Palhaço alegra a criança
Pastor promete a salvação
Padre pede esperança
Prefeito cuida do cidadão
Presidente estimula confiança
Psicólogo cura a imaginação.
Peço que com eles não faça aliança,
Pois são vendedores de ilusão!

O mundo moderno é mais ágil,
tudo é mais simples de ter,
mas quem se dá mal é o frágil
que não tem para onde correr.

As almas de hoje têm menos valor,
compra-se apenas com o pó,
o que antes um sacerdote sem pudor
comprava com oração, misericórdia e dó.

Hoje todos condenam o traficante,
mas enaltecem o santo pastor
que não vende nada importante
mas, mesmo assim, cobra alto valor.

Que diferença existe entre ilusão e céu,
um vendido pelo padre safado
e outro pelo dono do bordel?
Nenhuma, apenas o preço cobrado,
que é um corpo pelo padre tarado,
e um real pelo cigarro de baseado.

Isto tudo parece uma louca mistura,
mas sexo, drogas e religião
são a realidade crua e dura
de uma humanidade rumo à podridão.

Enquanto só prenderem traficante e puta,
largando solto o maior charlatão,
que diz que em nome de um deus labuta,
a humanidade não terá salvação.

Todo mundo quer ser grande.
Expandir e desenvolver a cidade,
mesmo que muita gente se sacrifique bastante
e tudo passe a depender da autoridade.

O grande esquece o indivíduo,
que passa ser massa de manobra
consumindo a necessidade que não precisa
por isto não tem mais tempo de sobra.

No grande o eu some
para dar lugar a ameba gigante,
ninguém me trata pelo nome,
mas do meu trabalho querem bastante.

O mundo feliz pertence ao pequeno.
Mas que homem tem coragem
de andar por estes caminhos
sem a necessidade de carregar bagagem.

Se desmancha o sonho global
de fazer um mundo todo igual,
para dar lugar e vida ao homem diferente
que não se preocupa com o que pensa
a maioria amorfa dessa gente.

Nosso futuro pertence ao mundo pequeno,
ao pequeno comércio e produtor.
Nada de dormir e acordar devendo,
nem de viver do dinheiro do especulador.

Silencioso pacto de interesse sem hipocrisia,
este é o objetivo de uma união
que tem o repeito mútuo como guia
e a felicidade do outro como razão.

No início é tudo flores.
Com a sociedade vêm as dores
de uma satisfação sem lógica
para os outros seres de um mundo hipócrita.

Quando se percebe que o tempo é cruel,
que o dinheiro é a única linguagem
e que o amigo nem sempre é fiel,
do fundo do baú se resgata a coragem
para enxergar no companheiro
o motivo eterno e verdadeiro.

Quando apenas com os olhos dá para conversar
é sinal de que o mundo diminuiu
e que tudo que já se sentiu
é possível em amor se transformar.

Mas a dura realidade sempre aparece,
a ponto de quase nos fazer desanimar.
Mas os hipócritas de nós nada merece,
apenas pelo outro vale a pena lutar.

Minha insensatez me faz parecer um garoto,
mas, sou rabugento, pareço um velho.
De tanto lamuriar neste esgoto,
ninguém mais escuta meu berro.

Ainda sonho como criança,
querendo ir para a roça criar e plantar.
Preciso alimentar esta esperança
para não deixar a morte me alcançar.
Ainda preciso da liberdade
para de gaiola em gaiola voar.
Não posso deixar a tristeza me dominar.

Por onde passo, não quero viver.
Sempre erro na escolha de qual caminho seguir
ou será que eu não sei caminhar?
Talvez eu devesse aprender
que viver não significa decidir,
basta deixar a vida me levar.

Mas para onde esta vida me conduz?
A dúvida vira medo
de no fim deste túnel não ter luz.
Por isto não posso mais cometer o erro
de querer consertar o mundo.
Por mais que eu brigue e lute
acabo sempre mais no fundo.

Mas desta vez tem que ser diferente,
pois já não mais aguento
ouvir tanta gente
me chamando de rabugento.
Por isto estou em busca da solidão,
conversar apenas com os olhos
sem me preocupar se está certo ou não.

Depois de tanto pensar e refletir,
já que de onde estou eu sempre preciso sair,
nada me resta a não ser concluir
que uma nova mãe precisa me parir.

Sinceramente não consigo entender porque os jornalistas diplomados estão tão desesperados por conta da não exigência do diploma para o exercício da profissão. Aliás, entender eu entendo, não passa de um corporativismo estúpido, além de restritivo. Além de ser o medo de ter alguns não diplomados com capacidade maior que os diplomados, pois, como em qualquer área do conhecimento, existem os bons e os maus profissionais. Os únicos preocupados com isto devem ser aqueles que não se garantem.

Mas não é este o meu objetivo, incomoda-me ouvir argumentos estúpidos, como ouvi na televisão de uma professora da UNB, dizendo que, agora, qualquer um pode ser jornalista, um pedreiro pode ser jornalista. É a maior besteira que alguém pode dizer, um sofismo ingênuo? Ingênuo nada. Será que um pedreiro pode ser um jornalista? Conversa mais sem noção, se um pedreiro pode ser jornalista, afirmado por uma professora, ela mesmo desconsidera tudo que aprendeu como útil? Não, claro, é apenas uma retórica safada. Afinal, todos podem ser jornalistas, desde que tenham competência para tal.

Exceto profissões que colocam em risco vidas humanas, as demais não exigem diplomas, ou não deveriam. Qualquer um pode ser físico, químico, matemático ou escritor. Vamos ao caso dos físicos, alguém aí conhece algum físico enchendo o saco porque não é necessário um diploma de Física para ser físico? Se um sujeito conseguir desenvolver alguma teoria nova para descrever um fenômeno, de forma coerente, comprovada, etc, terá seu trabalho publicado. É bem verdade que ele terá mais trabalho para isto, mas pode. E nem por isto estamos vendo uma profusão de pedreiros desenvolvendo novas teorias cosmológicas ou quânticas. É simples, quem não estudou física não consegue fazer isto. Será que Jornalismo qualquer imbecil consegue fazer sem ter um mínimo de formação? É isto que os próprios jornalistas pensam?

O que eu acho interessante nesta questão é ver jornalistas se esperneando com medo de perderem seus empregos, talvez seja a consciência de que fazem um péssimo trabalho que poderá ser substituído por um outro profissional menos qualificado, afinal, qualquer um que conheça minimamente a nossa língua poderá obedecer ao patrão e escrever o que ele manda, só que mais barato. Basta ver a quantidade de jornalista escrevendo justamente o que mandam os donos da mídia; se não precisa pensar, para que pagar pelo diploma? Mas, na verdade, a não exigência do diploma permitirá uma maior profusão de notícias, comentadas ou não, nos lugares que os diplomados e engomados não querem aparecer, permitirá o livre exercício da expressão. Qualquer um, que tenha capacidade, poderá gerar uma pauta para um jornal qualquer, mas só um muito bem treinado poderá cobrar caro para fazer o que o patrão manda.

É muito estranho viver numa sociedade hipócrita, com pretensos defensores das liberdades, dos bons costumes e da moral e ética. Viver junto daqueles que pregam amor ao próximo, como manda um livro que nunca leram e não fazem a menor ideia de quem escreveu, mas não conseguem idolatrar nada além do próprio umbigo. Fingem ser altruístas, solidários, mas os únicos favores que prestam são aos próprios amigos ou familiares. Sentam-se numa casa do povo para ler trechos de um livro tido como sagrado, com a voz engasgada e leitura trêmula, para depois barganharem para defenderem seus interesses mais mesquinhos.

A anarquia, que nos livraria destes parasitas, pois não haveria políticos profissionais nem governantes distribuidores de cestas básicas ou panetones, é uma utopia distante para uma sociedade altamente dependente dos favores prestados por um estado corrupto. A gestão da comunidade deveria ser feita por homens e mulheres que acreditam nesta comunidade, num modelo próximo do associativismo e cooperativismo. Uma gestão realmente solidária. Mas isto é uma ilusão, e já não tenho mais 15 anos para sonhar com um mundo livre, livre do poder do capital e de seus capitalistas, grandes ou pequenos. Capitalistas que se dizem preocupados com o desenvolvimento sustentável, mas, apenas querem sustentar suas gordas participações nos lucros da exploração do trabalho. Mas vão à missa todo domingo ou ao culto semanal no templo ou sinagoga.

As religiões estão aí para manipular e permitir que o ser humano cometa todo tipo de barbaridade e entre, depois, num templo e peça perdão pelas besteiras que fez. Mas pede perdão para um objeto pendurado na parede ou para uma criatura imaginária, jamais tem a coragem de dirigir-se ao ofendido para resolver esta questão. Todo ser humano tem problemas com a consciência, ela é uma característica para preservação da espécie. Um ateu, quando erra, não tem escapatória, para dormir precisa resolver seu problema com o ofendido, não adianta apenas ter a sensação de alívio rezando meia dúzia de orações. Um sacerdote hipócrita, de fala mansa, representante de um deus na Terra, é capaz de acobertar crimes hediondos de seus pares apenas para preservar uma instituição falida que comercializa indulgências e cobra dinheiro material para salvar almas e espíritos.

Em nome de deuses, bilhões de seres humanos já foram mortos ou torturados ao longo de toda a história humana. As unidades prisionais são uma ótima amostragem do que serve a religião, basta comparar os índices de prisioneiros crentes e ateus. Na sociedade é de aproximadamente 15 % a quantidade de ateus convictos, numa cadeia, não chega a 1%. Mas os fiéis acreditam que os ateus são seres perigosos e malvados, por isto os condenam, preferem acreditar em quem diz que tem deus no coração, mesmo que da boca pra fora. Fingidos, de fala mansa, mas armas em punho.

Um religioso tem coragem de praguejar contra uma cidade inteira somente porque não foi bem recebido e depois ainda dá nome às praças, ruas e edifícios. Um ateu, que tenta lutar por uma comunidade livre, moderna e desenvolvida, é condenado ao exílio ou ao silêncio. Sofre ameaças dos hipócritas para que eles continuem rezando e mandando. Os poderosos, além de hipócritas, são burros, pois não conseguem, minimamente, apresentar argumentos simples para defender seus pontos de vista; claro, como argumentar para defender que é certo o desvio de verba, uso de bem público, o cerceamento da liberdade de expressão, manipulação da fé e inocência de um cidadão?

Isto tudo cansa. Ver pessoas que saem de seus cultos religiosos desfilando suas melhores vestimentas para depois falarem mal de alguém, inventarem acontecimentos, discriminarem minorias. Ver pessoas sentadas nos bancos das praças reclamando da vida, do governo, do vizinho; depois se levantam, vão para suas casas e começam tudo de novo. Falam de pessoas, raramente de coisas, nunca de ideias. O mais interessante é que isto não é regra geral para a maioria das pessoas, mas a natureza é cruel, basta uma maçã podre para acelerar o processo de apodrecimento das demais, o inverso não ocorre. É uma pena! A raiz de todo mal é a suposta existência de um deus da bondade e da compaixão.

O instinto de sobrevivência, não o coletivo ou da espécie, fala mais alto; o instinto de sobrevivência do indivíduo e seus parentes próximos comanda a busca pela liberdade, a única liberdade capaz de ser obtida, a liberdade de poder voar de gaiola em gaiola. Resta, minimamente, uma vida restrita ao pacto de sobrevivência, compactuando com a hipocrisia da sociedade, até que seja possível ser dono da própria alma, obtendo a liberdade do guerreiro.

Costumo dizer que a liberdade é minha eterna conselheira, assim como a morte é minha companheira. Por causa da liberdade, eu nunca soube decidir se meus pés devem virar raízes, pois uma das condições de ser livre é não ter amarras. E quem não as tem? Mas o que é liberdade?

Resposta difícil, nenhum filósofo conseguiu fechar este assunto. Apesar do relativismo dos conceitos de liberdade, creio haver uma medida do grau de liberdade. Se dividirmos o universo em mundos, tentando não ser tão cartesiano, sejam físicos, mentais ou espirituais, ou divisões não tão claras, como as usadas pelo cabalistas com suas sephiroth, bem como uma tentativa de não dividir nada como no taoísmo, mesmo assim poderemos perceber que somos livres em alguns aspectos ou manifestações da realidade. Um exemplo pode ser o de um sujeito condenado, que esteja preso, mas, que utiliza sua mente e é capaz de sonhar e escrever estes sonhos, seus pensamentos; capaz de criar novas realidades, ainda que mentais. Este personagem tem um grau de liberdade diferente de uma pessoa que sai todo dia para trabalhar às seis da manhã, pega seu transporte público, preocupada em não ser assaltada, se vai chegar em tempo ao trabalho, tem que correr ao final do dia para arrumar as roupas dos filhos e, quando muito, consegue ver uma novela que dita as regras da sociedade. Quem tem maior grau de liberdade? Resposta difícil.

Mas, acho que a pior restrição de liberdade é ter outro ser humano ditando as regras, dizendo o que podemos ou não fazer. Encaro as questões restritivas, como necessidade de comer, tomar água, respirar ou não ter asas para voar, apenas como condições de contorno, regras que não limitam a liberdade, apenas definem o ambiente; o tabuleiro e as regras do jogo. Entretanto, quando a restrição é devida a outro agente dotado de capacidade de estabelecer correlações ou qualquer entidade capaz de criar novas restrições, temos uma diminuição do grau de liberdade; alguém está trapaceando ou roubando no jogo. Esta é a situação que mais me incomoda, alguém tentando controlar meus atos, seja através de ordens diretas ou, como preferem os estúpidos e fracos, jogando informações provocativas para manipular sem nenhum escrúpulo.

E o que dizer da liberdade individual e da liberdade coletiva? A liberdade individual plena é atingida quando nenhuma outra entidade restringe as possíveis ações de um indivíduo. Mas, as regras sociais estabelecidas, aparentemente como condições de contorno, são, na realidade, restrições deliberadas, muitas vezes criadas por grupos de indivíduos com interesses específicos. Portanto, a liberdade coletiva é um imbróglio, não existe. Só irá existir uma liberdade coletiva quando todos os indivíduos, juntos, formarem um novo organismo, mais complexo, mas aí torna-se um outro indivíduo, um meta-indivíduo. Mas isto é outro assunto, com tabuleiros e regras diferentes. Outra coisa é a liberdade do indivíduo quando no grupo, na sociedade; esta liberdade só existe e é cada vez maior se o indivíduo não for limitado por restrições impostas pelos outros ou, ainda, não limitar sua própria dinâmica em função de terceiros, como o que acontece com as pessoas que vivem dos modismos e satisfações que acha que tem que dar ao grupo. Mesmo que outros indivíduos não estejam limitando ações, muitos indivíduos se auto-limitam por conta do que acreditam que os demais membros do grupo desejam ou esperam dele. Ainda temos que lembrar do ego, a força coercitiva da sociedade que mantem indivíduos unidos e restringe, sobremaneira, o grau de liberdade individual. Por isto, a liberdade só pode ser atingida, plenamente, na escala individual por indivíduos liberados das amarras do ego.

Então. Como entender a liberdade? Ora, podemos imaginar que o mundo, em suas diversas dimensões, conhecidas ou não, é formado por um conjunto de todas as possíveis soluções para a situação no tempo presente; ressaltando que estou considerando o tempo com uma restrição de não ser possível controlá-lo. Assim, a cada instante, infinitas soluções são descartadas e apenas uma é determinada, formando, para trás no tempo, uma linha histórica contínua de eventos relacionados pela causalidade e o futuro formado por um plano composto de todas as possíveis soluções, sendo o ponto de conexão entre a linha e o plano o momento presente. Semelhante à descrição do mundo quântico, quando temos que todas as soluções são estados reais, simultaneamente, até que se meça ou determine o estado, colapsando todas as soluções em uma única. É aí que vejo o conceito de liberdade, a capacidade de escolher qual das possíveis soluções existentes será determinada. Mas, a regra do jogo diz que deve ser respeitada a causalidade, ou seja, não pode existir solução que quebre esta restrição, por exemplo, se você decide queimar um papel escrito, jamais existirá uma solução futura na qual a informação escrita no papel esteja preservada. Outro exemplo, um sujeito chega para seu chefe, ofende-o barbaramente e pede demissão; neste momento, no plano de soluções, todas as possíveis soluções nas quais o sujeito trabalhava naquela empresa desaparecem do conjunto. Ou seja, pode-se fazer o que quiser, mas tem que arcar com as consequências dos atos. É isto que diz a causalidade.

Portanto, a grande liberdade é poder escolher em qual tabuleiro e conjunto de regras permanecer, ou seja, o maior grau de liberdade que podemos atingir é escolher em qual gaiola ficar e poder escolher as soluções em cada mundo-gaiola. Liberdade é poder voar de gaiola em gaiola.

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