Tentei ligar para o 0800 da Husqvarna a partir da roça, afinal, moro e uso os produtos dela na roça, mas esse serviço não aceita ligações de celulares. Aí já começa a irritação com o descaso de uma imensa empresa multinacional que negligencia seus clientes por questões de centavos numa ligação telefônica. Esperei o dia em que precisei ir à cidade para efetuar a ligação de um orelhão, tentando encontrar um que funcionasse. Tal como se liga para uma empresa qualquer, uma URA atende e dá opções, escolhi a de reclamação: esperei com musiquinha até que, finalmente, ficou tudo mudo. Aí usei a mesma estratégia para falar com atendentes de qualquer call center, escolhi a opção de informações sobre produtos, afinal, pra vender eles fazem qualquer coisa. Nem assim. Resumo, tive que partir para escrever esse texto, postar em todos os lugares na rede e tentar o “Reclame Aqui”.

Minha reclamação com a Husqvarna é por conta do adaptador para uso do nylon, aparador de relva, para a roçadeira 236R (fotos abaixo), treco caro e mal projetado. Comprei um novo, original, na revenda autorizada de São Lourenço, paguei caro (R$ 75,00), mesmo tendo recebido oferta de um produto similar por R$ 40,00, preferi o original, embora eu já tenha tido problemas com o original que vem com o equipamento. E o problema se repetiu; logo no primeiro uso o guia metálico por onde corre o nylon soltou e desapareceu, claro, no meio do mato e com a rotação é impossível encontrar. Sem esse item, o nylon se rompe com facilidade, além de aumentar a vibração; e quando o nylon se rompe, deixando apenas um lado com o nylon exposto, a vibração é muito alta e, obviamente, a eficiência do corte é perdida. No primeiro adaptador eu usei um anel metálico com a mesma função (as famosas gambiarras), mas de outra roçadeira velha, colei com adesivo epóxi e até que resolveu por um bom tempo, mas não teve jeito. O que faço agora? Não tenho mais como adaptar nada, gastei uma grana que não está fácil ganhar, além de ter que fazer o serviço com lâmina metálica, o que é muito ruim para alguns locais, como perto de canos, mangueiras, pedras e terrenos muito irregulares. E com a lâmina o desgaste do cabeçote é muito maior devido aos impactos inevitáveis com pedras, diminuindo muito a vida útil desta parte da roçadeira, fora as pedradas que tomo.

Esta roçadeira é a única ferramenta mais tecnológica que tenho, além da enxada, pá, cavadeira. É com ela que mantenho roçado as hortas, pomares e cercas elétricas, principalmente porque não uso nenhum tipo de veneno, como o glifosato, para eliminar o mato; mantenho o solo coberto para garantir a umidade com a cobertura vegetal. Mas, tá ficando difícil sem poder usar o aparador de relva.

Fui até São Lourenço tentar achar uma solução, na revenda autorizada. Lá não tem a peça, disseram que nem na Husqvarna tem. Aproveitei e pedi uma cotação do cabeçote (caixa de transmissão), quase cai duro: R$ 440,00. Uma roçadeira que não custa dois mil reais. Bem que os concorrentes me avisaram que as manutenções dos equipamentos da Husqvarna são absurdamente caras. Fui numa concorrente tentar achar uma peça que resolvesse, encontrei uma chingling por R$ 7,00, caro para uma rodelinha de metal. Fiquei imaginando quanto a Husqvarna cobra pela original dela. É uma solução paliativa, como pode ser visto nas fotos, mas não dá para deixar sem roçar.

Sendo assim, como resolvo? Quem me atende? A hora que precisar trocar o cabeçote, vão reduzir o preço na mesma proporção da redução da vida útil? Vou ter que comprar o chingling por R$ 40,00 para poder roçar com nylon? E quando uma empresa que se diz pioneira, moderna e ágil vai aceitar ligações de celulares, num mundo em que o fixo está morrendo? Só as empresas do agronegócio ainda têm fixo, o pequeno e familiar produtor só tem celular, mas esse é pobre e não interessa? Será que a concorrência atende melhor o pequeno?

Mais uma empresa que é aderente ao paradigma das grandes corporações: “Phoda-se você, eu quero é lucro para os acionistas!”



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