Moisés, o bíblico, era um sujeito que tinha a missão de conduzir o povo para uma nova realidade, uma sociedade diferente daquela que os hebreus viveram no Egito, tenha sido ela formada de escravos ou de donos dos bancos e grandes comerciantes. Não é isto que vem ao caso, mas como Moisés fez isto, ou seja, porque ele enrolou o povo durante quarenta anos para atravessar o Jordão. A resposta é simples, quarenta anos é o tempo necessário para se trocar a geração de comando de uma sociedade. Moisés não queria que a nova sociedade hebraica tivesse algum ranço do período egípcio, então era importante esta quarentena para limpar qualquer influência patológica, segundo sua visão de mundo.

Mas que relação tem isto com a violência atual, especialmente a urbana, que observamos atônitos e impotentes? Simples. Moisés, que supostamente tinha apoio de Deus, precisou de quarenta anos para mudar uma sociedade, eliminando os antigos de forma educada; já que matar é pecado ele precisou esperar estes velhos contaminados morrerem por si só.

Parece cruel esta visão, mas qualquer sociólogo concordará que não resolveremos o problema da violência nesta geração. Todos os políticos foram à televisão para falar que para acabar com a violência é preciso investir em educação, que isto, que aquilo. Oras, como um processo educacional irá eliminar os atuais bandidos? E mais, Moisés contou com socorro sobrenatural e levou quarenta anos, os políticos estão querendo ser melhores que Moisés, sem nenhuma providência divina e ainda fazer em menos tempo? Tenham a santa paciência.

Todos sabem que a violência urbana é fruto do tráfico de drogas, que é uma atividade altamente lucrativa, pelo menos para os empresários da droga. Estes empresários não moram nos morros ou favelas, posam de empresários bem sucedidos, freqüentam alta sociedade, fazem festas em mansões de alto luxo para a outra parcela da sociedade que teria, supostamente, poderes para resolver este problema. Ou seja, para os bandidos dos morros e os que estão nas falidas penitenciárias o negócio não é tão lucrativo, além de ser muito arriscado. Mas por efeitos sociais e pela habilidade humana de só resolver problemas em bandos, eles preferem ser famosos por algum tempo, andando armados parecendo machões super-poderosos. Se não houver vontade política concreta de quebrar esta corrente que amarra os empresários do tráfico aos poderosos legalmente constituídos, teremos que esperar aparecer um Moisés com poderes divinos e mais quarenta anos.

Se as polícias conseguissem e quisessem eliminar o tráfico, enquanto negócio, quebrando a cadeia de fornecimento e distribuição, teria ainda o problema de sair nas ruas tropeçando em viciados com síndrome de abstinência, o que pode ser pior que bandidos armados, pois são em maior número, sem controle mental e sem medo de enfrentar a morte. Por que não legalizar as drogas e vendê-las em farmácias? Os hipócritas de plantão vão falar que isto não é certo porque drogas fazem mal. Esses devem fazer parte do mesmo time de velhos que Moisés teve que esperar morrer.

Isto é um problema recorrente. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se pular na água a piranha pica, se voar o caçador atira. Os políticos não vão usar as mesmas ferramentas que Moisés usou, afinal daqui a quarenta anos nenhum desses políticos estarão aí para colher os votos, eles são bem mais imediatistas que isto.

Então, só resta uma opção. Ser mais eficiente que Moisés. Não esperar os quarenta anos para eliminar os membros doentes, afinal, como já dizia minha avó, pau que nasce torto, morre torto e deve virar lenha. Mas, então, aparece outra leva de hipócritas, a dos direitos humanos, dizendo que matar não pode, além de ser pecado. Sem problemas, se matar é pecado, enterra-se vivo. Política de tolerância zero, como a implantada em Nova York na década de 90, não resolveu, mas melhorou muito e precisou eliminar a banda podre. Se Moisés tivesse feito assim, hoje a civilização ocidental judaico-cristã estaria quarenta anos mais adiantada, ou, o que pode ser mais correto afirmar, estaria dizimada, para o bem do planeta.

Alexandre Guimarães

15/05/2006

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